Cavaco ao ataque: da "democracia amordaçada" à "impunidade" do governo

Ex-presidente da República ataca o "governo da geringonça" na gestão da pandemia e lembra polémicas dos últimos meses, como o caso do procurador europeu, para sustentar que o país está numa situação de "democracia amordaçada". Ao cuidado de Rui Rio, Cavaco Silva deixa ainda a receita para vencer as próximas eleições.

O alvo estava bem definido: António Costa e o seu governo. Cavaco Silva não poupa nas críticas à gestão do executivo socialista, seja na pandemia, seja com outros casos e polémicas recentes, falando mesmo em "democracia amordaçada".

A começar os pouco mais de 20 minutos de intervenção, Cavaco fala sobre a pandemia, "um tempo em que emergem como heróis os médicos e as enfermeiras de um Serviço Nacional de Saúde fragilizado por decisões erradas e graves do governo da geringonça".

Depois da primeira estocada, o ex-chefe de Estado vai adiante realçando que não deixa de "sentir uma certa vergonha ao ver Portugal como recordista em número de mortos por milhão de habitantes". "Respira-se um sentimento de resignação relativamente às autoridades responsáveis pela gestão da crise pandémica", nota o antigo Presidente da República para quem o processo de vacinação "agora" está a "correr bem".

Além das duras críticas sobre a gestão da pandemia, Cavaco Silva diz que é "chocante o sentido de impunidade que irradia de algumas atitudes e comportamentos do atual governo", num sentimento causado pela "deterioração da qualidade da nossa democracia a que a geringonça conduziu o país e perante a hipoteca que lançou sobre o futuro das gerações mais novas".

Para remate: "É surpreendente a frequência com que ouvimos e lemos notícias que nos deixam com uma certa ideia de que o país se encontra numa situação de democracia amordaçada".

Considerando não saber "se as notícias são todas verdadeiras", mas que "são tantas que é difícil não terem algum fundo de verdade", Cavaco Silva elenca algumas das polémicas dos últimos meses como a não-recondução do Presidente do Tribunal de Contas ou a polémica nomeação do procurador europeu José Guerra, sem esquecer as declarações de que é "antipatriótico" criticar o governo ou a "falta de transparência" relativa ao Orçamento do Estado".

Chega de falar do Chega

Depois das críticas ao governo socialista, Cavaco Silva, no seu tom professoral, dá a lição para que o PSD volte ao poder. Em primeiro lugar, definir o alvo a abater.

"O ponto central de uma estratégia que possa ter sucesso é a identificação do adversário político do PSD. Parece-me claro que o adversário político do PSD é o atual governo e o partido de que dele emerge", realça o ex-chefe de Estado.

Para isso mesmo, ao cuidado de Rui Rio, Cavaco nota que é preciso sempre "denunciar erros e omissões, violações das regras do Estado de Direito, falhas de respeito pela independência do poder judicial e tentativas de amordaçar a democracia por parte do poder socialista". "Mas nunca sem faltas de respeito", nota ainda.

Vincando a necessidade de capturar eleitores ao PS, Cavaco diz que uma das maneiras de lhes piscar o olho é focar, entre outras políticas, na progressividade na tributação dos rendimentos, na promoção da solidariedade e justiça social, no acesso generalizado das crianças e jovens à educação, no acesso universal a cuidados de saúde de qualidade, na difusão cultural e na defesa do ambiente e ordenamento do território.

E muito importante: não falar de outros partidos, nomeadamente o de André Ventura. "As múltiplas perguntas que frequentemente são colocadas aos dirigentes do PSD sobre outros partidos políticos, por agentes diversos instruídos para o efeito, têm por objetivo impedir que eleitores, que no passado votaram PS, se sintam inclinados a voltar à área social-democrata", vinca o ex-chefe de Estado. "É fundamental, repito, é fundamental não cair nessa armadilha", conclui Cavaco nesta sessão das Mulheres Sociais-democratas a quem pede para que "não respondam" quando lhes são feitas estas perguntas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de