CDS chama Medina ao Parlamento e critica "descontrolo na coordenação política"

Centristas querem ouvir o presidente da Área Metropolitana de Lisboa para falar sobre "organização, competência e responsabilidade".

O CDS-PP anunciou esta quarta-feira um requerimento para ouvir no Parlamento o presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina, e o coordenador da região de Lisboa e Vale do Tejo, Duarte Cordeiro, criticando o "descontrolo na coordenação política".

Na interpelação ao Governo marcada hoje pelo BE sobre "a resposta à Covid-19 na Grande Lisboa nos transportes e na habitação", no período de pedidos de esclarecimento ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, o deputado do CDS-PP João Gonçalves Pereira questionou "quem é que coordena" todas as pessoas envolvidas na resposta à pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo.

"Aquilo que vamos assistindo todos os dias é que há falta de coordenação política. O CDS entregará ainda hoje um requerimento para ouvir o senhor coordenador da região de Lisboa e Vale do Tejo [o secretário de Estado Duarte Cordeiro] e para ouvir o senhor presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina. É urgente ter organização, competência e responsabilidade", defendeu o centrista.

Antes, Pedro Nuno Santos defendeu que todos estão preocupados com a situação, mas contrapôs as críticas aos números que são utilizados em relação à lotação dos transportes públicos.

"Quando nós falamos de médias é de horas de ponta dos comboios que vão num sentido com carga. As médias não são calculadas por membros do Governo mas pela CP e pela IP. Não somos nós que as inventamos", garantiu.

O governante assegurou que não vai "fugir aos números", assumindo que "a situação é muito grave", mas que será possível resolver "com algumas das medidas que aqui foram apresentadas", como por exemplo o desdobramento da Linha de Sintra com autocarros.

Já Carlos Silva, da bancada do PSD, considerou que "este debate ocorre numa fase crucial do combate à pandemia", manifestando a preocupação dos sociais-democratas com a procura dos transportes e a falta de resposta.

"Verdadeiramente espantados ficamos quando ontem [terça-feira] o ouvimos dizer que era impossível cumprir a norma de distanciamento nos transportes", condenou.

Para o PSD é incompreensível que, perante a falta de oferta, "existam empresas de transportes ainda em lay-off".

Uma das propostas apresentadas pelo BE no âmbito deste debate foi precisamente um projeto de resolução para impedir que estas empresas privadas de transporte possam recorrer a este mecanismo.

Mais tarde no debate, em resposta a questões dos deputados, Pedro Nuno Santos voltou a reconheceu que "é difícil, senão impossível" manter o distanciamento físico nos transportes públicos e deixou elogios à ministra da Saúde, Marta Temido.

"A ministra da Saúde tem feito um trabalho excelente em resposta à pandemia e nós temos colaborado da nossa parte no esforço coletivo para que as coisas corram bem", disse, com aplausos da bancada do PS.

Pelo PCP, Bruno Dias considerou que "olhar para os números e para as estatísticas" não pode significar "ignorar os problemas concretos das pessoas", que todos os dias se confrontam com transportes sobrelotados.

Já André Silva, do PAN, questionou que respostas se podem dar às pessoas que "transmitem que têm medo de ser infetadas ou infetar os seus colegas" devido à sobrelotação dos transportes políticos, criticando o facto de o Governo "não encarar o problema dos transportes coletivos".

"O vírus gosta de convívio social, mas também anda de transportes públicos", aviso o deputado do PAN.

Pela Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, pediu a Pedro Nuno Santos que seja "arrojado e imaginativo" perante um problema desta dimensão e sugeriu que se incentive as empresas privadas de transporte rodoviário a colocar a frota que está subaproveitada ao serviço do público, pois embora não resolva o problema, "será uma boa ajuda".

André Ventura, do Chega, acusou o ministro das Infraestruturas de estar "em estado de negação absoluta", pedindo para que não faça "o mesmo à CP que fez na TAP".

"O senhor ministro está um especialista em destruir empresas", acusou.

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