"CDS desapareceu." Telmo Correia considera sobrevivência do partido "extremamente difícil" mesmo com novo líder

O antigo líder parlamentar do CDS considera que os resultados do partido nas últimas eleições foram "uma tragédia". Em entrevista a Fernando Alves, na Manhã TSF, Telmo Correia reconhece que o CDS teve "uma perda considerável", afirmando que o regresso será um caminho "muito difícil", mesmo com a liderança de Nuno Melo.

Telmo Correia abandona o Parlamento na sequência dos maus resultados do CDS nas últimas eleições legislativas, eleições essas que ditaram mesmo o fim da representação parlamentar do partido, 40 anos depois. O antigo líder parlamentar dos centristas considera que é "extremamente difícil" que o CDS possa sobreviver, mesmo com a liderança de Nuno Melo, e teme pelo seu desaparecimento definitivo.

Entrevistado por Fernando Alves na Manhã TSF, Telmo Correia constata que, neste momento, o CDS está "desaparecido" da realidade parlamentar, e que, mesmo com um novo líder, o partido perdeu meios fundamentais para voltar a afirmar-se na vida política portuguesa.

"O CDS desapareceu da realidade parlamentar e, de alguma forma, não sabemos até que ponto desapareceu da vida política portuguesa. Acho que é factual, o desaparecimento não impede que não regresse, mas, neste momento, e olhando para a realidade parlamentar está desaparecido", afirma.

Apesar de considerar "possível" o regresso do CDS com a liderança de Nuno Melo, Telmo Correia diz que é "muito difícil". "Acredito que é possível. Agora digo e, obviamente já o disse ao próprio Nuno Melo, que me parece um caminho extremamente difícil. O partido teve uma perda considerável. Teve um resultado que é uma tragédia. É evidente que deixa de ter instrumentos fundamentais da ação política no Parlamento. É um caminho de afirmação política, tem aquele que é o seu espaço político ocupado por outros partidos, tudo isso não torna o caminho mais fácil. É possível é. É muito difícil, na minha opinião."

Com os resultados negativos do partido nas últimas eleições, Telmo Correia sai do Parlamento. As divergências com a atual direção do CDS levaram-no também, em novembro do ano passado, a anunciar que não continuaria como líder parlamentar sem que se realizasse um congresso do partido.

Telmo Correia reconhece aquilo que é "um duplo golpe duro", embora considere "mais duro" o "desaparecimento" do CDS. "O meu destino individual a mim particularmente me interessa, posso compreendê-lo. O destino do partido foi um golpe mais duro. Posso compreender e aceitar a minha não continuidade. O desaparecimento do CDS é mais difícil de aceitar", confessa.

Questionado sobre a retirada da placa do CDS da Assembleia da República, Telmo Correia refere que foi "um momento simbólico, desagradável e negativo", assinalando, no entanto, que "a saída das pessoas e o facto de as ideias não continuarem a ser defendidas foi mais relevante do que a saída de um bocado de latão".

"O meu discurso de despedida foi há dois meses. Esse foi o nosso momento de despedida. Neste momento, quem se estava a despedir era o CDS, quem deveria e poderia ter sido eleito e não o foi." "Quem falhou foi quem lá deveria estar", atira.

No plano internacional, Telmo Correia foi membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e relator para a verificação de cumprimento das obrigações da Federação Russa. Por isso, adianta que segue os acontecimentos na Ucrânia "com a mesma atenção e preocupação de todos".

O deputado do CDS que sai agora do Parlamento acrescenta ainda que essas funções permitiram-lhe "perceber a realidade russa, do regime de Putin, onde acontecem coisas muito impressionantes". "Uma 'democracia iliberal' ou 'democratura', regimes que têm alguns elementos de regimes democráticos mas não o são", conclui.

Ao longo desta semana a TSF ouve os deputados que abandonam o Parlamento na sequência dos resultados das últimas eleições legislativas. Na quarta-feira será a vez de António Filipe.

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