CDS elogia justiça em caso de secretário de Estado que se demitiu

Deputado centrista afirmou que este é mais um caso sério com o Governo.

O CDS considerou que a demissão do secretário de Estado da Proteção Civil, anunciada esta quarta-feira, resulta de um "caso grave, gravíssimo" e elogiou a justiça por estar a funcionar. Em declarações à Lusa, o deputado centrista Telmo Correia afirmou que este é "mais um caso sério e grave" com o Governo, "curiosamente, mais um [caso] na área da administração interna", e acrescentou que o partido vai ficar a "aguardar as explicações" do executivo.

"Este é um caso gravíssimo, é um caso da maior gravidade porque qualquer caso - e são os indícios que nós temos - em que possa ter havido um aproveitamento do negócio ou até indícios de corrupção, é sempre grave", disse.

Telmo Correia realçou que "a justiça está a funcionar" e esse é "obviamente um dado positivo", a "justiça funcionar". E sublinhou ainda que esta demissão acontece numa altura complicada quanto aos incêndios florestais.

O secretário de Estado da Proteção civil, José Artur Neves, demitiu-se esta quarta-feira do cargo, no dia em que a polícia fez buscas no Ministério da Administração Interna, na Proteção Civil e em vários comandos distritais de operações socorro.

Mais de meia centena de buscas estão esta quarta-feira a ser efetuadas no âmbito de uma investigação do Ministério Público (MP) sobre as práticas enquadradas nos Programas "Aldeia Segura", "Pessoas Seguras" e "Rede Automática de Avisos à População" por suspeitas de fraude na obtenção de subsídio, de participação económica em negócio e de corrupção, segundo informa a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Uma nota da PGR refere que se encontram em curso oito buscas domiciliárias e 46 não domiciliárias, no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). As buscas decorrem em vários locais, incluindo o Ministério da Administração Interna, a secretaria de Estado da Proteção Civil, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e Comandos Distritais de Operações de Socorro.

A operação tem a participação de seis magistrados do MP, cerca de 200 elementos da Polícia Judiciária (PJ), elementos da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e sete elementos do Núcleo de Assessoria Técnica (NAT) da PGR.

O caso das golas antifumo (golas que fazem parte do kit distribuição à população no âmbito do programa "Aldeia Segura", "Pessoas seguras") levou o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a abrir um inquérito sobre a contratação de "material de sensibilização para incêndios", a 27 de julho.

Dois dias depois da decisão do ministro, o adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, Francisco Ferreira, demitiu-se, depois de ter sido noticiado o seu envolvimento na escolha das empresas que produziram os kits de emergência que continham as golas antifumo para o programa "Aldeia Segura".

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