CDS quer governo com "voz grossa" na Europa

Na derradeira semana para o acordo europeu do plano de recuperação da economia, o CDS pede firmeza ao governo. Presidente dos centristas questiona ainda como é que vai ser possível financiar o plano para a década de Costa e Silva.

Será a voz de António Costa "grossa" o suficiente? O CDS espera que sim. O líder dos democratas-cristãos pede firmeza ao governo para fazer valer a importância do acordo para o plano de recuperação da economia portuguesa que vai, uma vez mais, estar na ordem de trabalhos do Conselho Europeu desta semana.

Francisco Rodrigues dos Santos até tem confiança de que seja possível o acordo, mas numa semana em que o primeiro-ministro se desdobra em contactos (esta segunda-feira está na Holanda, na terça vai até à Hungria), o CDS pede firmeza.

"O CDS entende que o governo tem de fazer voz grossa junto das instâncias europeias porque foi isso que se comprometeu com os portugueses e nós dependemos muito da ajuda europeia que poderá chegar ao nosso país", diz o líder centrista.

Considera o CDS que "se a UE não tem uma resposta global para problemas que são à escala global", os países vão "cair em separado" ao invés de todos juntos. "Quero que a Europa se reerga com base nos valores fundacionais da solidariedade, da coesão e da cooperação que afundaram e que são vitais e ganharam atualidade com esta crise que se abateu de forma homogénea por todos os países", nota.

Apesar de ter confiança de que o acordo poderá sair do Conselho Europeu desta semana, Rodrigues dos Santos sublinha que, se tal não acontecer, o governo deverá assumir as devidas responsabilidades. "[O executivo] criou a expectativa de que a resposta da UE será fundamental para superarmos este quadro de agravamento da situação económica e social do país, este orçamento retificativo é o instrumento de mão estendida à espera do dinheiro que vamos receber de Bruxelas e há 15 mil milhões de euros que esperamos receber a fundo perdido que têm de ser injetados na nossa economia... Que o Estado seja tão diligente a injetá-lo na economia como está a ser a pedi-lo à União Europeia", sublinha.

E como se financia o plano para a década?

Dos últimos dias tem dado que falar o plano desenhado pelo gestor António Costa e Silva contratado pelo governo para o relançamento da economia até 2030 e, daquilo que se sabe, está pensado um grande investimento público em infraestruturas. A dúvida do CDS é apenas uma: quem pagará essa fatura?

"É sobrecarregando ainda com mais impostos os portugueses? É aumentando a carga fiscal como, de resto, é apanágio socialista? Como? Isto é que tem de ser explicado", nota o líder do CDS sublinhando que "o dinheiro para ser aplicado precisa de ser subtraído em algum lado, sobretudo quando falamos de dinheiro público".

Vincando que "não há estímulos ao crescimento económico", Rodrigues dos Santos quer saber se o financiamento será obtido "pela via do aumento de impostos subtraindo ainda mais dinheiro às famílias". "Neste plano, vai ter de ser explicado como é que vai ser feito o investimento público", conclui.

De resto, o primeiro-ministro na semana passada fez saber que a versão entretanto conhecida através da comunicação social é apenas preliminar, está em análise nos diferentes ministérios e será apresentada no final do mês. Depois, seguir-se-á a discussão pública e, aí, o CDS também quererá ter a sua palavra.

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