Centeno avisa: "Há objetivos que são mais fáceis de atingir com maioria absoluta"

O tabu que o Partido Socialista impôs a si próprio para estas eleições foi quebrado, em parte, pelo ministro das Finanças. Mário Centeno avisa que há objetivos que são mais fáceis de atingir se o PS tiver maioria absoluta.

De quantas formas se pode pedir uma maioria absoluta? O Partido Socialista parecia já as ter esgotado todas, mas Mário Centeno encontrou uma nova formulação. O ministro das Finanças lembra que "há, obviamente, lições a tirar daquilo que não se conseguiu fazer" nos últimos quatro anos em que o PS governou com o apoio parlamentar do PCP, do PEV e do Bloco de Esquerda e, acrescenta que, algumas dessas coisas, "se calhar não se conseguiu fazer de todo", outras "não se conseguiu fazer com a rapidez com que se devia ter feito."

Teria sido tudo mais fácil se os socialistas tivessem uma maioria absoluta? A resposta de Centeno é imediata: "Há objetivos que são mais fáceis de atingir", concorda o ministro.

Convidado do programa Bloco Central, da TSF, o ministro das Finanças reconhece, no entanto, que isto "não quer dizer que só se consiga governar com maioria absoluta", como aliás, "demonstrámos nesta legislatura", ao mesmo tempo que puxa da lista de reformas que ficaram aquém das expectativas do PS, precisamente pelo condicionamento imposto pela 'geringonça': "A legislação laboral e o tempo que ela levou a maturar até ser aprovada ou a reforma da supervisão financeira que não foi concretizada", são dois exemplos que Mário Centeno parece ter, claramente, entalados.

Está, então, Mário Centeno a pedir uma maioria absoluta para o PS? 'Nim'. "Se olharmos para o espetro pós-eleitoral de 6 de outubro e tivermos uma distribuição distinta dos votos", prossegue o ministro, "e se essa alteração significar que o PS tem mais deputados e eventualmente atinge a maioria absoluta, isso significa que os termos em que cada um destes dossiês avança vão ser, obviamente, distintos." Ou seja, para Mário Centeno tudo seria melhor se o PS tivesse uma maioria absoluta? "Eu acho que era para melhor, claro", responde.

"Há muitos anos que não olhamos para a rede hospitalar"

Se há área onde o atual Governo tem sido fortemente criticado, é na saúde. Mário Centeno defende-se lembrando que "a despesa em saúde cresceu de forma muito significativa nesta legislatura" e que "26% do aumento da despesa total foi em saúde." Na TSF, o ministro lembra que o Governo estabeleceu prioridades e que "o ciclo de investimento projetado para os próximos anos é muito ambicioso."

Significa que está tudo feito? Longe disso. Mário Centeno assume que "falta fazer o exercício da organização na saúde" e que "há muitos anos que não olhamos para a rede hospitalar." E, neste capítulo, a gestão privada tem alguns bons exemplos a seguir: "O Estado tem que aprender com todas as experiências que tenha à sua disposição para aprender", avisa Centeno, acrescentado que não vê "nenhuma razão, nem nenhum estudo que permita dizer que as PPP não são uma opção." O ministro salvaguarda, no entanto, que esta opção "tem que ser aplicada caso a caso e numa análise de eficiência."

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