Centeno tem "indiscutível competência" para ser governador do Banco de Portugal

Carlos César defende que episódio entre Centeno, Costa, Marcelo e o Novo Banco resultou num "reforço da coesão" no Governo. David Justino entende que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças saem "debilitados".

O presidente do PS, Carlos César, considera que Mário Centeno tem "indiscutível competência" para desempenhar o cargo de governador do Banco de Portugal "se se colocar essa questão".

No programa Almoços Grátis , da TSF, e depois de uma semana em que o ministro das Finanças esteve debaixo de fogo depois da polémica transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco e em que terá tido um pé fora do Governo, Carlos César garante que o que sai do episódio com Costa é "um reforço da coesão entre os membros do Governo, uma renovação da confiança do primeiro-ministro no Ministros das Finanças".

Para já, garante, Centeno "vai continuar a desempenhar as funções", sem apontar para uma saída em julho para o Banco de Portugal, quando terminar o mandato de Carlos Costa.

No fundo, "passar-se-á o que foi articulado entre o primeiro-ministro e o atual ministro das Finanças quando foi constituído o Governo". Quer isso dizer que a saída de Centeno já estava combinada antes do início desta legislatura? "Não sei, o que sei é que ambos farão o que articularam em tempo devido", responde Carlos César.

Certo é que o presidente do PS não vê "qualquer incompatibilidade" numa possível ida de Centeno para o Banco de Portugal "se se colocar essa questão", até porque o ministro das Finanças tem "indiscutível competência e experiência para o desempenho desse cargo".

Costa e Centeno "saem debilitados"

O PSD, por seu lado, chegou a pedir a demissão do ministro das Finanças e já fez saber que não gostaria de ver Centeno no Banco de Portugal.

David Justino, no comentário a este "episódio" - evitando, em tom de brincadeira, chamar-lhe "crise" para não "abespinhar" Carlos César - defende que "quer o primeiro-ministro quer o ministro das Finanças saem debilitados, não só em termos da sua ação, mas também para a opinião pública".

E mais importante do que discutir se é oportuna uma eventual transição direta das Finanças para o regulador, Justino lembra que é preciso saber se "o PSD vai ser ouvido ou não vai ser ouvido relativamente a isso".

O vice-presidente do PSD pergunta também "o que é que o PS tem a dizer" no caso de o PSD pedir para ser ouvido, questionando também desde já "qual vai ser a equipa" e "qual vai ser a orientação que o futuro governador - ou candidato a governador - vai identificar".

O PSD, garante, "não antecipa problemas", mas fica um aviso: "Há linhas vermelhas - neste caso há linhas laranja - sobre as nomeações possíveis."

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