Centeno vê-se com perfil para ser Governador do Banco de Portugal

Está focado em cumprir o mandato como presidente do Eurogrupo até ao fim e não quer especular sobre o seu futuro profissional. Mas, se lhe perguntam se considera ter o perfil indicado para ser governador do Banco de Portugal, Centeno não diz que não.

Considerado por muitos um dos principais capitais políticos de António Costa, Mário Centeno decorou o guião para esta campanha e repete as vezes que forem precisas que está empenhado em terminar o mandato como presidente do Eurogrupo e fazer campanha como candidato nas listas do PS por Lisboa. Mas será que Centeno não ambiciona mais?

Luís Marques Mendes especulava, no último domingo, que sim. Que o atual ministro das Finanças, provavelmente, não iria cumprir mais uma legislatura completa e que estaria de olho no cargo de governador do Banco de Portugal. "Deus nos livre que tivéssemos que aprender sobre o nosso futuro pelo Dr. Marques Mendes", reage Mário Centeno à TSF. O que não significa, necessariamente, que o ministro feche definitivamente a porta ao cargo ocupado atualmente por Carlos Costa.

"Se eu me vejo com perfil para ser governador do banco de Portugal", repete Centeno a provocação jornalística: "Se houver um perfil para ser governador do banco de Portugal, é mais ou menos a mesma coisa que ser diretor-geral do FMI, do ponto de vista das qualificações", elabora, concluindo que "não vejo onde é que pudesse estar aí uma dificuldade."

Centeno não abre nem mais um milímetro a cortina do seu futuro profissional, mas reconhece que, de todos os cargos para que tem sido apontado, há um a que nunca ninguém o indicou e sobre o qual nunca refletiu. Imagina-se primeiro-ministro? "Nunca pensei nisso."

"O que se passa nas noites de Westminster são muitas vezes fenómenos paranormais"

Que Portugal está confrontado com ameaças económicas externas, já todos sabem. Da guerra comercial entre os EUA e a China, a uma mais que provável recessão na Alemanha, para já não falar da crise que vivem algumas das maiores economias europeias. Mário Centeno não desvaloriza, mas também não valoriza em demasia nenhum destes problemas.

No Bloco Central, da TSF, o ministro das Finanças lembra que "a Alemanha tem todos os instrumentos" para responder a esta queda do Produto Interno Bruto.

De todas as ameaças, "o que me preocupa mais", confessa Mário Centeno, "é o Brexit". Mesmo admitindo que "andamos a falar de Brexit desde junho de 2016", que este "não é um assunto novo" e que "muitas das perturbações que o Brexit causaria já estarão ativas nas relações entre a Europa e o Reino Unido, o ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo avisa que "haverá sempre mais alguma coisa no dia em que o Brexit acontecer, sobretudo se for sem acordo."

E este cenário - de uma saída sem acordo - é levado muito a sério por Mário Centeno. O ministro classifica "o que se passa nas noites de Westminster" como "fenómenos paranormais que muitas vezes não conseguimos enquadrar" e lembra que "até o próprio Banco de Inglaterra reviu há pouco tempo alguns dos cálculos que tem no caso de um Brexit sem acordo" para concluir que "é muito difícil colocar números nos modelos."

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