Cerimónia do 25 de Abril. "Não aceitamos lições de democracia de ninguém", diz CDS

Telmo Correia argumentou que "em democracia não há datas prescindíveis e outras imprescindíveis, por imposição da maioria", numa referência à oposição do CDS à sessão solene na AR a propósito do 25 de Abril.

O líder parlamentar do CDS-PP salientou este sábado que o partido não aceita "lições de democracia de ninguém", respondendo assim aqueles que criticaram os democratas-cristãos por se terem manifestado contra o modelo de celebração do 25 de Abril.

"O CDS é um dos quatro partidos históricos da nossa democracia e a voz representativa da democracia cristã, neste hemiciclo, desde as primeiras eleições livres. Não aceitamos lições de democracia de ninguém", afirmou Telmo Correia na intervenção que fez na sessão solene evocativa da Revolução dos Cravos, que decorre na Assembleia da República.

Na sua curta intervenção, o deputado assinalou que "até que os partidos" que "impuseram" a sessão solene "a foram reduzindo e espaçando, seja em número de deputados seja em número de convidados".

"Afinal, ao contrário do que disseram, a questão nunca foi ideológica. Quanto muito, era uma questão de lógica", criticou.

O líder parlamentar assinalou que o CDS "não só discordou desta cerimónia em tempo de pandemia e em Estado de Emergência" decretado devido à Covid-19, "como propôs uma alternativa viável e responsável" à sessão solene, através de uma mensagem do Presidente da Republico ao país.

Esta é uma evocação que o CDS considera "fundamental, por representar a liberdade, isso nunca esteve em causa", assegurou, mas defendeu que "em democracia não há datas prescindíveis e outras imprescindíveis, por imposição da maioria".

"E não usarei sequer a liberdade que devo ao 25 de Abril para responder ao muito que ouvimos por termos esta posição, isso só qualifica sobretudo quem o proferiu e não ofende quem quer", referiu Telmo Correia, apontando que "esta celebração dividiu os portugueses quando o momento é de união".

Para o democrata-cristão, "com esta cerimónia, em Estado de Emergência, o que o poder político está a dizer é que permite para si mesmo aquilo que proibiu aos portugueses e que não respeita para si próprio o que exigiu ao povo, isolamento e confinamento".

E criticou que, enquanto os deputados e convidados celebram no parlamento, "os portugueses não se podem juntar para celebrar nada, nem o seu próprio aniversário", os "idosos estão isolados e as crianças deixaram de poder ver os seus amigos", muitas famílias "não puderam, sequer, despedir-se dos seus mortos", pessoas "perderam o seu emprego e inúmeras empresas foram obrigadas a fechar".

"Muitos não vão poder estar com as suas mães no próximo dia 03 de maio ou celebrar a sua fé no próximo dia 13 de maio", acrescentou, advogando que "todo o país deve respeito a este parlamento, mas o parlamento também deve respeitar os portugueses". Por isso, considerou que "este é um mau exemplo".

"Ainda assim, estamos aqui mandatados para, coerentemente, lavrar o nosso protesto democrático, não deixando de cumprir o nosso dever", assinalou Telmo Correia, destacando que no dia de hoje a "liberdade coletiva é defendida por todos os que, na primeira linha, estão a salvar vidas, mas também por todos aqueles que, respeitando o que o poder político determinou, estão confinados, abdicando da sua liberdade individual".

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