César compara discurso de Rio com o de André Ventura

Na ótica de Carlos César, pode dar-se o caso, no entanto, de a "criatura virar-se contra o criador": uma forma de dizer que André Ventura virou definitivamente costas ao PSD, mas o partido cor de laranja pode estar a seguir-lhe os trilhos.

Carlos César diz-se "um pouquinho surpreendido" com a "prestação" de Rui Rio no debate do programa de Governo na Assembleia da República, e chega mesmo a comparar a intervenção do social-democrata com a de André Ventura.

"A primeira parte foi muito semelhante ou igual ao discurso do deputado do Chega", aponta o ex-líder da bancada parlamentar do PS, que, ouvido por Anselmo Crespo no programa "almoços Grátis", da TSF, deixa ainda outras analogias que ligam os dois deputados.

Na ótica de Carlos César, pode dar-se o caso, no entanto, de a "criatura virar-se contra o criador": uma forma de dizer que André Ventura virou definitivamente costas ao PSD, mas o partido cor de laranja pode estar a seguir-lhe os trilhos.

O socialista não compreendeu o "radicalismo" de Rio quando estimou que o Executivo custasse mais de 50 milhões de euros aos contribuintes e atribuiu um "recorde" indesejável a este Governo. "Pode fazer o Governo que quer, agora fica com um recorde nacional que nunca gostaria de ter tido - o maior e mais caro governo da história toda de Portugal", criticava o líder do PSD na Assembleia da República esta quarta-feira.

O líder do PSD ironizou também que, depois de se ter dito que talvez fosse necessário um carpinteiro para abrir um nova porta para o deputado do Chega, talvez este fosse mais útil "para ajustar a bancada do Governo", prevendo igualmente dúvidas na articulação futura de várias secretarias de Estado.

Para esta semelhança de discursos, diz Carlos César, contribui a dupla necessidade de Rui Rio, que se vê a braços com a resolução de dois problemas: ser o maior líder da oposição em Portugal e a expectativa de reunir mais consenso e apoio dentro do próprio partido.

No entanto, Carlos César tem dúvidas sobre "se é Rio que imita o deputado do Chega, se é o deputado do Chega que imita Rui Rio".

David Justino, também no seu comentário habitual no programa "Almoços Grátis", defendeu o líder do seu partido: "Este Governo, pela sua composição orgânica, é um mau sinal. Rui Rio fez muito bem em manifestá-lo."

Por seu lado, o social-democrata considera uma "analogia de mau gosto" comparar Rio a Ventura, e responde a César sobre eventuais "imitações". "Rui Rio é o primeiro a falar disso", nota.

Na perspetiva de David Justino, tem sido dada "mais atenção ao Chega do que aquela que merece", o que leva a que surjam epifenómenos, um exagero diante daquilo que o partido vale.

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