BE e PCP recusam "chantagem" de Costa para aprovação do OE2021

Primeiro-ministro sugeriu que OE2021 só será chumbado se a esquerda quiser aliar-se à direita contra o Governo. BE e PCP recusam "pressões e jogos políticos".

O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) recusam jogos políticos e chantagens e aconselham o primeiro-ministro a investir nas negociações para que o Orçamento do Estado de 2021 (OE2021) seja aprovado. É assim que os partidos à esquerda do Governo respondem às declarações feitas por António Costa, na última noite, quando afirmou que a viabilização do próximo orçamento é responsabilidade do Bloco e do PCP.

Numa entrevista à TVI, o primeiro-ministro garantiu que não vira as costas ao país "neste momento de crise" e que está nas mãos de Bloco de Esquerda e PCP a decisão de se juntarem à direita "para chumbar este Orçamento".

"O Orçamento só chumba se o BE e o PCP somarem os seus votos aos da direita. A questão fundamental que se coloca é se o BE e o PCP querem ou não juntar-se à direita para chumbar este Orçamento", deixou no ar o primeiro-ministro.

Palavras que não caíram bem ao líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, que acusa António Costa de estar mais preocupado com "jogo político" do que com o conteúdo das propostas para o OE2021.

"O sr. primeiro-ministro sabe - e já nos conhece há muito tempo - que chantagens e pressões não funcionam connosco. Já lhe dissemos isso no passado, já é público, isso não altera a análise racional e transparente que fazemos do que tem sido apresentado pelo Governo", retorquiu Pedro Filipe Soares, em declarações à TSF.

"Jogo político não é para nós o essencial. Isso faz parte da forma, mas não é o conteúdo. O conteúdo é o texto do Orçamento do Estado, que nos parece insatisfatório, e a forma de o melhorar para podermos chegar a uma votação na generalidade em que ele tenha sucesso. Mas está do lado do Governo perceber que as medidas de bom senso que propomos são as medidas que a realidade impõe", atirou.

O líder da bancada bloquista receia, apesar de tudo, que Costa esteja já decidido por um não-acordo quanto ao OE2021 e que as negociações agendadas com os partidos não passem de "teatro".

"Esperamos, com toda a abertura, que nas reuniões que estão marcadas possa surgir fumo branco e que não sejam um mero jogo de teatro para depois se concluir aquilo que o Governo possivelmente já tem na cabeça, que é a inexistência de acordo para o Orçamento do Estado", disse Pedro Filipe Soares.

Também o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, reagiu com desagrado às palavras de António Costa.

Ouvido pela TSF, João Oliveira afirma que as estas declarações do primeiro-ministro "encaixam numa narrativa de chantagem e de ameaça que tem marcado uma parte do enquadramento da discussão do Orçamento do Estado".

"Julgo que o primeiro-ministro tenha noção de que o PCP não se deixa influenciar por esse tipo de discurso e por esse tipo de atitude", respondeu o líder da bancada comunista.

"Já demos provas mais que bastantes de que tomamos as nossas decisões em função da avaliação que fazemos. E a avaliação que fazemos em relação ao Orçamento do Estado é que ele não corresponde às necessidades do país nem dá resposta às novas situações criadas pela epidemia", concluiu João Oliveira.

Aplicação obrigatória? "Foi uma tontice"

Na entrevista da última noite, António Costa anunciou também um recuo na intenção de tornar obrigatória a instalação da aplicação StayAway Covid. O primeiro-ministro revelou que já pediu ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, para suspender o debate da proposta.

Uma decisão saudada pela Bloco de Esquerda, que considera que a proposta em causa era uma "tontice" e "perda de tempo".

"Esta proposta foi uma tontice, não tinha caminho para andar. Ninguém acreditava nela, mesmo dentro do Partido Socialista, e por, isso, o Governo fez um recuo, meteu a proposta na gaveta, e fez bem", constatou Pedro Filipe Soares, ouvido pela TSF.

"O que fica por explicar é, neste momento tão exigente do país, andarmos a perder tempo com estas coisas. Algum bom senso é necessário neste momento, para levar a bom porto o navio do nosso país", rematou.

Notícia atualizada às 11h10

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