Chumbado por larga margem. Chega volta a falhar eleição de "vice" na AR

É a terceira vez que o partido de André Ventura apresenta um nome para escrutínio.

O candidato do Chega à vice-presidência da Assembleia da República falhou esta quinta-feira a eleição por larga margem, apurou a TSF. No final da reunião plenária, Augusto Santos Silva anunciou que o deputado Rui Paulo Sousa obteve 64 votos favoráveis.

Dos 230 deputados, exerceram o direito de voto 213, com 137 votos brancos e 12 nulos. O assunto criou celeuma na bancada do PSD após o líder parlamentar do partido ter apelado deputados sociais-democratas para que votassem a favor do candidato apresentado pelo Chega, Rui Paulo Sousa.

A votação acabou por ser superior às anteriores, pelo que o "apelo do PSD terá ajudado", de acordo com fonte ouvida pela TSF. Na primeira tentativa, o Chega não foi além dos 35 votos e, na segunda ronda, conseguiu apenas mais dois, ou seja, 37 votos. Para a eleição dos vice-presidentes, são necessários 116 votos, ou seja, a maioria dos deputados.

Esta tarde, André Ventura mostrava-se confiante de que o Chega teria boas hipóteses de eleger um vice-presidente - algo que acabou por não acontecer - naquela que foi a terceira tentativa do partido, depois de o Parlamento ter, anteriormente, chumbado os nomes de Diogo Pacheco de Amorim e Gabriel Mithá Ribeiro.

Depois de conhecidos os resultados da votação, Ventura declarou-se desiludido com o chumbo de mais um candidato do partido.

Falando em "boicote", o presidente do Chega atribuiu as culpas pelo resultado ao Partido Socialista: "Este resultado, sr. deputado Eurico Brilhante Dias e toda a bancada do Partido Socialista, é-vos diretamente imputável".

"São responsáveis por um boicote vergonhoso parlamentar, um boicote com que os portugueses não concordaram e por isso deram ao Chega o lugar de terceira maior força política, o que os senhores querem ignorar. Podem ignorar uma vez, podem ignorar duas, talvez não possam ignorar quando houver eleições novamente", atirou.

O líder parlamentar do PS, porém, respondeu que o resultado refletiu "uma linha vermelha" traçada. "Cento e vinte deputados desta bancada votaram de uma forma livre e democrática. Votaram com as suas convicções, votaram com o mandato que lhe foi dado pelos eleitores, e nesse mandato não estava nenhum boicote, mas uma linha vermelha para todos aqueles que são contra a democracia", declarou Eurico Brilhante Dias.

Lembrando que já viu o próprio nome ser chumbado nesta eleição, João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, reagiu com desagrado ao discurso do líder da bancada socialista.

"Quero saber se considera a Iniciativa Liberal para além dessas supostas linhas vermelhas que ninguém lhe deu o direito de estabelecer em relação aos votos que os portugueses põem na urna quando vão a eleições!", dirigiu-se Cotrim de Figueiredo a Brilhante Dias.

A resposta do líder parlamentar do PS chegou com uma revelação e com um desafio: "Eu próprio votei em vossa excelência para vice-presidente. Senhor deputado, em democracia, aceitamos os resultados eleitorais. E faço-lhe o convite: apresente o candidato que entender a vice-presidente deste hemiciclo. Terá, mais uma vez, o meu voto".

Pelo menos para já, a Mesa da Assembleia, continuará a funcionar com os dois vice-presidentes já eleitos, pelo PS e pelo PSD.

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