Com acusações de "truques" e "austeridade", Medina aconselha a oposição "a dialogar com pensionistas"

Deputados debateram o pacote de medidas que visa mitigar o impacto da subida de preços no rendimento das famílias.

Num debate onde esteve Fernando Medina, Pedro Nuno Santos e Ana Mendes Godinho, só o ministro das Finanças tomou a palavra para falar pelo Governo e responder à oposição. Em cima da mesa, o pacote de apoio às famílias, com a atualização das pensões para 2023, a redução do IVA na eletricidade e o apoio extraordinário ao arrendamento.

Com críticas de parte a parte e regressos ao passado, o debate centrou-se na polémica com as pensões, com o responsável pelas Finanças, com a ministra do Trabalho e da Segurança Social ao lado, a defender a opção do Governo.

"Nos últimos anos, a fórmula foi sempre ultrapassada para beneficiar mais os pensionistas face ao que resultaria da aplicação da fórmula. E fazemos agora um apoio extraordinário em 2022, e faremos um aumento em 2023, e cumpriremos integralmente entre o apoio e o aumento, o que resultaria da fórmula", explica.

Fernando Medina acrescenta que "os deputados podem dizer o que quiserem", mas "se desvalorizam o que o Governo está a fazer", o melhor é "dialogarem com qualquer pensionistas", descendo à realidade.

"Em vez de verem este aumento adicional diluído no aumento do próximo ano, mês a mês, verão este aumento já no mês de outubro, na altura em que mais necessitam", atira.

A oposição, da direita à esquerda, não se deixou convencer pelos argumento do ministro das Finanças, com o deputado do PSD, Nuno Carvalho, a definir o programa do Governo numa palavra: "austeridade".

"A austeridade está cá, os senhores estão a promovê-la e estão a cortar. Se querem continuar a falar do passado, é porque no presente, não conseguem construir nada para o futuro", ripostou, numa referência às palavras do PS e do Governo sobre os tempos de Passos Coelho e a troika.

Num tom mais ríspido, perante o elenco governativo, Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, fala num plano "cheio de truques", apesar do cenário "fulgurante" que o Governo apresenta: "Os apoios não descem os preços, nem resolvem a vida de ninguém".

"Os pensionistas é que vão apoiar o Governo, para o Governo cumprir as metas do défice para 2023, que é o que está em causa com a proposta de antecipar metade da pensão para este ano. Assim, não têm de atualizar os pensionistas com a base de toda a pensão", sublinhou.

Do outro lado do hemiciclo, Bernardo Blanco, da Iniciativa Liberal, deixou um conselho ao ministro, olhos nos olhos: "Ponha a mão na consciência e tire a mão do bolso dos portugueses".

Numa resposta ao PCP, depois de uma pergunta do deputado Bruno Dias, Fernando Medina disse também que o Governo ainda não tem nenhuma "posição fechada" sobre um imposto aos lucros abusivos das grandes empresas, já que espera uma posição conjunta de Bruxelas.

Notícia atualizada às 12h50

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