Com quem está a força? Conselho Nacional do PSD reúne rumo às diretas

Tiro de partida para as eleições internas é dado em Bragança com a polémica das quotas a marcar a agenda social-democrata. Montenegro e Pinto Luz não vão estar presentes, mas nem por isso vão ser esquecidos.

Cinco graus. A temperatura vai estar baixa em Bragança quando começar o Conselho Nacional do PSD, mas isso é na rua porque, no hotel onde vai decorrer a reunião, a temperatura pode vir a subir.

Numa escala de 0 a "Golpe de Estado" (que é como quem diz Conselho Nacional de janeiro passado ), o termómetro deve ficar a meio, mas só porque não se esperam muitos opositores à direção de Rui Rio, embora eles lá estejam para poder levantar a questão das quotas. Mas já lá vamos...

Os candidatos à liderança Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz é certo que não vão estar, apesar de terem aceitado convites que nunca foram feitos. Ambos gostariam de poder falar aos conselheiros, mas a hipótese foi descartada porque ninguém se chegou à frente para dar vida a esses mesmos convites.

Ainda esta semana, o presidente da mesa, Paulo Mota Pinto, disse à TSF que não tinham chegado quaisquer propostas nesse sentido, mas também se escusou a fazer mais comentários sobre o assunto.

Portanto, é sem eles que vai ser dado o tiro de partida na corrida ao trono social-democrata. A ordem de trabalhos é clara: análise da situação política; marcação da data das eleições diretas para presidente da Comissão Política Nacional e aprovação do respetivo Regulamento; e convocação do 38.º Congresso Nacional e aprovação do respetivo Regulamento.

Numa declaração política à porta fechada, Rui Rio já fez saber que vai analisar os resultados de 6 de outubro. "É absolutamente impossível, no primeiro conselho nacional depois de umas eleições legislativas, a intervenção política do presidente do partido não abordar aquilo que foram os resultados das legislativas, isso era absolutamente impossível de não acontecer", sublinhou Rui Rio de véspera.

E este é um ponto que serve de primeira arma de arremesso, com a candidatura de Montenegro à cabeça que ainda esta quinta-feira fez questão de, no Facebook, lembrar os resultados das europeias e das legislativas. "A força que os portugueses deram a Rui Rio foi 21 e 27%. Uma das explicações desta desgraça é ele não perceber que só um PSD forte por dentro é confiável lá fora", notou o antigo líder parlamentar.

E se aqui há pano para mangas no que diz respeito a críticas, vai ser no debate sobre o regulamento para as eleições que o termómetro pode vir a subir. Isto porque as quotas são um assunto polémico nos dias que correm no PSD.

Quotas em dia sem vigarice

Mas, afinal, o que se passa com as quotas do PSD? A atual direção do partido implementou uma medida que visa combater os caciques e as "vigarices" nas eleições.

Ao contrário do que aconteceu até à eleição que consagrou Rio presidente, cada militante com pagamento em atraso recebe uma referência multibanco aleatória com validade de 90 dias e, se por acaso a perder, para fazer um novo pedido precisa de comprovar a residência ou que o número de telemóvel associado nos registos lhe pertence.

Por causa da burocracia, alguns críticos de Rio têm apontado este processo como um obstáculo ao pagamento das quotas, havendo até quem defenda a abertura dos cadernos eleitorais e que a falta de pagamento não deve impedir os militantes de votar.

Mas Rui Rio não embarca nesses argumentos e lembra que "aquilo que os regulamentos e os estatutos dizem é que, para se eleger ou ser eleito, é preciso ter a quota em dia".

"Critiquei sempre aquilo que posso considerar as vigarices que aconteceram nas eleições internas do PSD em muitas circunstâncias, quando há uma pessoa, duas ou três que vão buscar dinheiro não se sabe onde e pagam as quotas de 100, 200, 300, 400 ou 500 pessoas", avisou Rio, na quarta-feira, dizendo que "o sistema está montado para acabar com isso"

"As eleições não são para ganhar por quem consegue mais dinheiro, são para ganhar por quem efetivamente tem mais aceitação junto dos militantes", diz.

Se nas últimas diretas os cadernos eleitorais contavam mais de 70 mil nomes (Rio foi eleito com cerca de 22 mil votos), até agora, de acordo com o SOL, há apenas 20 mil pessoas com a situação regularizada .

Ainda assim, Rui Rio reconhece que é preciso "facilitar" o sistema e promete que os cadernos eleitorais vão fechar o mais tarde possível. As datas ficam fechadas no Conselho Nacional desta noite, sendo que a proposta que a direção leva é de diretas a 11 de janeiro, com os cadernos a ficarem fechados ainda em dezembro.

Quem tem mais força e de onde é que ela vem?

E se as quotas ainda vão dar pano para mangas, a campanha interna já começou a ganhar expressão, principalmente nas redes sociais.

Se Rio tem um palco mediático natural devido à atual posição no partido, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz têm aparecido, feito contactos e, sobretudo, recorrido às redes sociais.

Tomemos como exemplo a última troca de argumentos e com base num lema de campanha de um dos candidatos: "a força que vem de dentro".

Na quarta-feira, Rui Rio, sem mencionar Montenegro, disse aos jornalistas: "há quem diga que a força vem de dentro, a minha força vem de fora, dos portugueses".

Sem perder tempo, o antigo líder parlamentar respondeu na mesma moeda, mas recorrendo ao Facebook.

Ora, Miguel Pinto Luz não quis ficar de fora e já fez desta campanha interna um episódio da Guerras das Estrelas.

Bocas para um lado, bocas para o outro, Rio já veio avisar que, de agora em diante, espera que "haja respeito mútuo, que não haja as tais vigarices, que seja tudo claro e, depois, um ganha e dois perdem". Que a força esteja com eles.

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