Como recordar Otelo? "Gostava que os portugueses soubessem de história"

Presidente da República diz acreditar que o que vai ficar nos livros é o papel do militar no 25 de Abril "e não no processo anterior e posterior".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou esta quarta-feira, quando questionado sobre como vai Otelo Saraiva de Carvalho ser recordado, que "gostava que os portugueses soubessem de história", principalmente os mais jovens.

No programa Circulatura do Quadrado, da TSF e da TVI24, e em resposta a uma pergunta do moderador Carlos Andrade, o chefe de Estado recordou os tempos de professor para explicar que ficava preocupado quando, nas suas aulas, tinha de "sacrificar a matéria para explicar história aos alunos".

"Espero que não seja apenas uma minoria de portugueses que saiba quem é Otelo Saraiva de Carvalho", atirou, lembrando que "há um ponto incontroverso que não é preciso que história venha a julgar".

Recordando o papel de Otelo na revolução do 25 de Abril e o "notável percurso" do militar, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "o que vai avultar, como mais saliente, é o seu papel no 25 de Abril e não no processo anterior e posterior".

O corpo de Otelo Saraiva de Carvalho, que morreu no último domingo, foi cremado esta quarta-feira numa cerimónia restrita em Cascais, antecedida de honras militares, palmas, "Grândola Vila Morena" e críticas à ausência de luto nacional.

Numa tarja grande e branca, com letras em vermelho-escuro, podia ler-se "Obrigada, Otelo", uma mensagem que foi repetida por muitos dos presentes durante a breve cerimónia que decorreu à entrada do crematório.

Cravos vermelhos, "Grândola Vila Morena" e palmas não faltaram na despedida do estratego do 25 de Abril. Mas várias pessoas também aproveitaram para manifestar o seu desagrado por não ter sido decretado luto nacional pela morte do militar de Abril.

Na terça-feira deslocaram-se ao velório de Otelo Saraiva de Carvalho o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Nessa ocasião, foi o Presidente da República o primeiro a falar publicamente sobre a decisão de não ser decretado luto nacional, uma competência do Governo, considerando que para essa decisão contribuiu o facto de ter acontecido o mesmo quando morreram outros protagonistas da revolução, como Salgueiro Maia e Ernesto Melo Antunes.

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