Convenção MEL: "Ou nos salvamos aqui, ou não nos salvamos"

A direita procura "uma alternativa viável" ao Governo do PS. Os aplausos mais entusiasmados durante a manhã foram para a entrada de Passos Coelho e para uma referência a Cavaco Silva.

O dilema que a direita enfrenta foi explicitado por José Miguel Júdice numa das intervenções da manhã: "ou nos salvamos aqui, ou não nos salvamos," disse o comentador que considera ainda que "o Estado nunca cuidou de nós." Júdice apelou à crença "nos valores liberais, plurais, e da divergência" mas defendeu que devem ser rejeitados "todos os radicalismos".

Além do aplauso à passagem Passos Coelho, a plateia entusiasmou-se com a crítica que Mira Amaral, antigo ministro de Cavaco Silva, deixou ao atual Partido Socialista:

"É um partido bipolar. Tem um líder e um primeiro-ministro muito hábil politicamente, mas que privilegia, ou tem uma entropia, pelos acordos com o PCP", afirmou Mira Amaral para quem a maioria do PS "está colonizada ideologicamente no Bloco de Esquerda e a ala social-democrata está completamente marginalizada."

"Isto torna muito difícil às lideranças do centro direita um diálogo, hoje em dia, com o PS que é muito diferente daquele dos meus tempos de governo, e com o qual o Professor Cavaco Silva conseguiu até fazer alterações na Constituição", lembrou o antigo ministro social-democrata, arrancando aplausos entre os participantes.

Luís Amado, outro antigo ministro, mas dos governos de José Sócrates, considerou que o ocidente está a perder força, por via de uma "desocidentalização" dos valores e que é arriscado deixar a defesa do ideal de nação às vozes nacionalistas.

"Deixar aos nacionalistas e ao nacionalismo, a defesa de uma ideia de nação é uma infantilidade perigosa no atual contexto", avisou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa.

O historiador Rui Ramos resumiu o espírito do conclave: "o principal do trabalho é tornar credível a alternativa: dizer que somos melhores, somos capazes e estamos prontos. E dizer isso, obviamente, sem que as pessoas sorriam."

Logo a abrir os trabalhos da manhã, Jorge Marrão, presidente do MEL, aludiu à polémica sobre a participação de André Ventura (que amanhã vai encerrar o período da manhã), defendendo que "a política dos críticos dos gritos na rua não leva à parte alguma, mas uma coisa não concordar com os outros, outra é não ouvir".

"O MEL considera-se mais aberto e tolerante do que muitos a quem nós chamamos os esquerdistas profissionais. Às democracias são exigidas construções de alternativas viáveis", considerou Jorge Marrão lembrando que "a cada reconfiguração do espaço político, no caso de português a criação da geringonça, abre-se a oportunidade para outro espaço daqueles que não fazem parte desta originalidade estatística em Portugal."

Os trabalhos da terceira convenção do Movimento Europa e Liberdade decorrem entre hoje e amanhã, no Centro de Congressos de Lisboa.

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