"Corte de salários" e "milhões e milhões para o grande capital". PCP vota contra Orçamento Suplementar

O PCP diz que o Orçamento Suplementar é "inclinado para os interesses do grande capital".

O PCP vai votar contra o Orçamento Suplementar na votação final global agendada para sexta-feira na Assembleia da República, anunciou o líder parlamentar comunista.

Em comunicado, o partido refere que "não aprova um Orçamento que consagra o prolongamento de cortes salariais a centenas de milhares de trabalhadores."

O partido diz que o Orçamento Suplementar é "inclinado para os interesses do grande capital, constituindo-se como um instrumento de desigualdade e injustiça".

Os comunistas deixam ainda críticas à convergência entre o PS e PSD, lembrando a "urgência de política alternativa de que o país precisa". Ainda em comunicado, o PCP admite que várias propostas endereçadas ao Governo foram implementadas, mas mantém-se "o desequilíbrio inicial entre os benefícios e privilégios ao capital".

O partido defende que "este não é um Orçamento para enfrentar a grave situação económica em que o país se encontra, o crescimento significativo do emprego, a necessidade de redinamizar a economia e a produção nacional."

O PCP refere ainda que o documento apresentado pelo Governo dá submissão às imposições da União Europeia, e que, assim, "não se pode responder aos problemas estruturais do país".

"O PCP vota contra o Orçamento Suplementar, e continuará a bater-se pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos seus salários e direitos, pelo controlo público dos setores estratégicos, pela valorização dos serviços públicos, designadamente do SNS, por um caminho soberano de desenvolvimento nacional", conclui o comunicado.

"A convergência entre PS e PSD deu este resultado"

O líder parlamentar comunista, em conferência de imprensa, culpou os partidos com maior representação na Assembleia da República pelo voto contra do PCP. João Oliveira diz que "a convergência entre PS e PSD deu este resultado", antes de adiantar que o documento não serve as necessidades do país e dos trabalhadores, mas sim do "grande capital".

Recusando a existência de "linhas vermelhas ou verdes", o balanço feito pelo partido é o de "um orçamento inclinado para os interesses do grande capital e desequilibrado na satisfação desses interesses face à falta de resposta dos problemas dos trabalhadores e do povo". João Oliveira explicou também que "não há uma proposta milagrosa" que fizesse alterar o sentido de voto.

O orçamento apresentado "está numa situação muito desfasada do momento grave que o país vive em termos económicos e sociais".

A posição tomada pelo PCP, garante João Oliveira, não está ligada a momentos anteriores nem é a "projeção de orçamentos posteriores". É, sublinha, o resultado de uma "avaliação e caracterização muito negativa" da proposta do Governo, pela "insuficiência e opções erradas" que apresentava.

Depois de apresentadas as propostas do PCP, esclarece, o partido constatou que é "evidente uma convergência entre PS e PSD" na aprovação do documento e na "rejeição das propostas do PCP".

Numa comparação com os tempos da Geringonça, João Oliveira reconhece que "a aprovação de propostas do PCP é, de facto, muito diferente do que foi no passado". Ainda assim, reforça, o posicionamento do partido resulta das respostas dadas aos trabalhadores, algo que não foi assegurado neste orçamento.

"O prolongamento do regime de lay-off e a aprovação de medidas que vão fazer escoar para os grupos económicos mais umas centenas de milhões de euros de fundos públicos significa a perpetuação dos cortes dos salários" de trabalhadores "que podem chegar ao final do ano com dois ou três salários cortados".

"Um orçamento que aprova cortes de salários não pode ser aprovado pelo PCP", resume João Oliveira, citando ainda problemas no investimento público, prestações sociais, SNS e respostas às necessidades das pequenas e médias empresas.

Notícia atualizada às 17h48

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