Costa pede humildade ao PS e consenso político para ultrapassar crise

A Comissão Política do PS abriu com António Costa a elogiar o comportamento dos portugueses no combate à Covid-19. O foco agora é lutar contra uma crise económica e social que o vírus criou.

A reunião da Comissão Política do PS começou com um agradecimento de António Costa aos portugueses pelo esforço dos últimos meses, no combate à pandemia da Covid-19. O secretário-geral socialista sublinha que, ao contrário dos outros países, a pandemia nunca esteve descontrolada, ao ponto de romper o Serviço Nacional de Saúde.

Numa altura em que o país começa com um desconfinamento gradual, o primeiro-ministro avisa que a "batalha não está ganha". "Só termina quando controlarmos o vírus", disse, alertando que "vamos ter de aprender a viver com ele".

"A disciplina tem de continuar. Temos de continuar a manter o afastamento entre nós. Temos de continuar a ter as normas de proteção pessoal de nós próprios e dos outros. Temos de continuar a ter as normas de higiene e, temos de ter, um enorme cuidado."

António Costa justifica que as "medidas drásticas e radicais" tomadas no início de março foram decisivas para a saúde pública. "Essas medidas drásticas e radicais tiveram uma função importante na contenção da pandemia, mas têm uma fatura social e económica que é muito dura", avisa.

"Temos de relançar a economia sem deixar descontrolar a pandemia."

Perante os militantes, António Costa defende que é necessário um programa de relançamento da economia, mas pede prudência.

"Não basta abrir uma loja para que os clientes entrem. Não basta abrir um restaurante para que os clientes entrem. É necessário criar uma relação de confiança e que essa relação seja assumida pelo conjunto da sociedade", explica, considerando ser natural que ainda haja "medo" generalizado.

Para ultrapassar a crise, Costa pede nervos de aço, humildade ao partido e "um esforço para manter o consenso político e social".

"Por muita força que o PS tenha, precisamos de todos os portugueses, de todos os parceiros sociais e de todos os partidos para prosseguir este caminho muito exigente, que vamos ter pela frente nos próximos anos."

Os pilares do programa de retoma da economia

António Costa diz ser fundamental agilizar os processos que envolvem o Estado, as autarquias e as empresas. É nesse sentido que sugere a criação do "Simplex SOS", para transformar os processos de investimento e de resposta a esta crise mais seguros e transparentes.

No que diz respeito ao tecido empresarial, o secretário-geral socialista defende a necessidade de encontrar formas de proteger as micro, pequenas e médias empresas, seja "da restauração à cultura". "Não há rendimento sem emprego, não há emprego sem empresas e se queremos proteger", disse. O primeiro-ministro não esquece também as empresas exportadoras que, de um momento para o outro viram o mercado global.

O terceiro pilar fundamental para ultrapassar uma crise económica "decisiva" é o emprego. Neste ponto, o primeiro-ministro pede a reforma dos mecanismo de apoio ao emprego "para, em particular, responder às necessidades das jovens gerações. Pela segunda vez, numa década, são atingidas com duas crises brutais", lamenta, garantido que é necessário criar condições para manter os jovens trabalhadores portugueses em Portugal, através de boas condições laborais.

O primeiro-ministro pede um combate à pobreza, lembrando também ser essencial que se proteja o rendimento da classe média.

António Costa explica ainda que da Europa vêm bons sinais para ajudar a levantar a União Europeia, depois de ter sido anunciada a proposta franco-alemã. Por fim, o secretário-geral socialista garante que o PS está apenas e só focado na retoma e no combate à crise. Quanto às presidenciais, nem uma palavra.

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