Costa admite intervenção do Estado para ajustar mercado imobiliário

Primeiro-ministro aconselha proprietários imobiliários a moderarem a ambição.

António Costa admite uma intervenção do Estado para ajudar o mercado imobiliário a ajustar-se, mas o primeiro-ministro ainda acredita que o próprio mercado possa auto-regular-se. Aos proprietários imobiliários, Costa aconselha que moderem a ambição ou deixará de haver procura por causa dos preços.

O primeiro-ministro esteve num almoço da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e, apesar do aviso, mostrou-se esperançado que o pico imobiliário não seja duradouro.

O primeiro-ministro definiu-se esta quinta-feira como "um capitão de equipa feliz" no Governo, dizendo que contou com dois pontas-de-lança nas finanças e economia, Mário Centeno e Siza Vieira, e com "um excelente armador de jogo", Vieira da Silva.

António Costa deixou esta nota futebolística no final de um almoço promovido pela Confederação do Comércio e Serviços, depois de o presidente desta entidade, João Vieira Lopes, lhe ter pedido para a próxima legislatura uma política com "menos Centeno e mais Siza Vieira", ou seja, mais menos ministro das Finanças e mais ministro da Economia.

As primeiras palavras do líder do executivo foram precisamente para responder a este desafio que lhe deixara o presidente da Confederação do Comércio e Serviços.

"Considero-me um capitão de equipa feliz, porque posso contar não só com dois pontas de lança - um nas finanças e outro na economia - mas também com um excelente armador de jogo no Ministério do Trabalho", declarou, numa alusão direita a Vieira da Silva, que, tal como Pedro Siza Vieira, também se encontrava presente no almoço.

De acordo com o primeiro-ministro, Mário Centeno, Pedro Siza Vieira e Vieira da Silva, nesta legislatura, "formaram um triângulo virtuoso".

"Esse triângulo virtuoso permitiu estabilidade política, recuperação da credibilidade internacional do país - condições fundamentais para Portugal ter mais e melhor emprego, crescimento e redução das desigualdades", sustentou António Costa.

Neste almoço, António Costa respondeu também com humor a um reparo crítico deixado por João Vieira Lopes, que observou que, na atual orgânica do Governo, não há uma pasta do comércio, mas uma da defesa do consumidor.

"Então, pela mesma lógica, em vez de haver um secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, devia haver uma pasta da defesa dos contribuintes", declarou o presidente da Confederação do Comércio e Serviços.

O primeiro-ministro respondeu que a razão de haver uma pasta da defesa dos consumidores "é mesmo uma homenagem que se faz aos comerciantes".

"Os comerciantes ensinaram-nos uma coisa: O cliente tem sempre razão", afirmou, provocando risos na plateia.

Na sua intervenção inicial, um dos pontos destacados por António Costa passou por negar a existência de qualquer subida de impostos na presente legislatura e por defender que o aumento da carga fiscal se deveu a uma redução do desemprego, a uma melhoria do poder de compra da generalidade dos cidadãos, tendo como resultado uma subida do consumo e, consequentemente, de receitas como o IVA.

Tal como argumentara no debate televisivo que travou com o presidente do PSD, Rui Rio, António Costa referiu que o aumento das contribuições para a Segurança Social rondou os 8,5%, acima do crescimento do produto interno bruto (PIB).

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