Costa confirma previsão de crescimento económico de 4,6% este ano

Primeiro-ministro defende que a economia portuguesa "tem estado a responder melhor do que aquilo que se esperava" e revela querer voltar a contar com o Bloco de Esquerda para viabilizar o OE2022.

O primeiro-ministro António Costa confirmou, esta quarta-feira, que o Governo espera um crescimento económico de 4,6% durante este ano. O número já tinha sido adiantado pelo líder da bancada do PCP, João Oliveira, após uma reunião com o ministro das Finanças para a apresentação do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022).

O valor acabou por ser confirmado a partir da Eslovénia, onde o primeiro-ministro falava no final da cimeira UE/Balcãs. "Temos vindo a rever em alta as projeções de crescimento da nossa economia", notou António Costa, antes de sublinhar que também o Banco de Portugal reviu a sua previsão em alta, apontando agora para os 4,8%.

Costa sustentou que "o cenário macroeconómico foi hoje partilhado pelo ministro das Finanças com todos os partidos", e, neste momento, o cenário macroeconómico com que o Governo está a trabalhar "prevê de facto um crescimento de 4,6% este ano e 5,5% no próximo ano", cumprindo assim o objetivo fixado de ter um crescimento de 10 pontos percentuais nestes dois anos, e portanto chegar ao final de 2022 "já numa situação melhor" do que a que havia em 2020, quando a pandemia atingiu a Europa e Portugal.

"Se estas previsões se confirmarem, significa que conseguiremos ter uma recuperação muito forte da nossa economia. Neste quadro, é evidente que a política de rendimentos tem de ser vista, não como um entrave ao crescimento, mas também como um contributo positivo para o investimento. Eu insisto: foi a viragem da página de austeridade que permitiu dar às famílias melhores condições de confiança e agentes económicos que permitiu crescimento sustentado desde 2016 e voltar a convergir com a UE", disse.

"Felizmente, a nossa economia tem estado a responder melhor do que aquilo que se esperava", algo que o primeiro-ministro atribui ao "sucesso das medidas adotadas para a sustentação do emprego", que "resistiu muito melhor do que se tinha previsto", e da diminuição do desemprego.

O PCP afirmou que o Governo aponta para perspetivas de crescimento económico de 5,5% para o próximo ano, considerando ainda "mais incompreensível" que o executivo diga não ter margem para aumentar salários na administração pública.

"Como é que se compreende, com perspetivas de crescimento económico que este ano são de 4,6% e para o ano podem chegar aos 5,5%, que os trabalhadores da administração pública continuem a perder 11% do seu poder de compra?", questionou João Oliveira.

Primeiro-ministro quer voltar a contar com o Bloco de Esquerda

António Costa reafirmou também a sua confiança num desfecho positivo das negociações em torno do OE2022 e disse esperar poder voltar a contar com o Bloco de Esquerda para a sua viabilização, manifestando-se convicto de que as conversações com os parceiros parlamentares estão "a correr bem". No entanto, o líder parlamentar do Bloco contraria a "veia otimista" do chefe de Governo, ao apontar que o processo está longe de ter sucesso e que "esse otimismo do primeiro-ministro mostrou muitas vezes não ter qualquer adesão à realidade".

Confrontado em Kranj com a posição do Bloco, António Costa não só reiterou a sua confiança num acordo, como disse mesmo esperar que este ano não suceda o que aconteceu no ano passado, quando o Bloco "se furtou a contribuir positivamente para o orçamento, tendo votado ao lado da direita".

"A pergunta que me fizeram ontem [terça-feira] era se eu estava confiante. Eu disse que sim e mantenho-me confiante. E creio que isso é estar bem conectado com a realidade, a não ser que essa realidade se tenha alterado de uma forma que eu desconheça", declarou.

Questionado sobre se as posições de Bloco, mas também do PCP, não deixam antever negociações mais duras do que nos anos anteriores, o primeiro-ministro disse que tudo passa por tentar conciliar "prioridades".

"Bom, cada um tem as suas prioridades. Estas são as do Governo: é apostar nas novas gerações, é apostar na classe média, é apostar na melhoria do investimento público, é apostar na melhoria dos serviços públicos. O Bloco de Esquerda tem anunciado quais são as suas prioridades, e obviamente os acordos dependem da forma como conseguimos conjugar todas as prioridades", começou por observar.

"Até agora, em 2016 foi difícil e conseguimos, em 2017 foi difícil e conseguimos, em todos os anos foi difícil e conseguimos quase sempre. No ano passado, como é sabido, o BE entendeu não dever participar no esforço que era absolutamente essencial naquele momento único de pandemia, de grande pressão sobre as nossas finanças, e furtou-se a contribuir positivamente para o orçamento, tendo votado ao lado da direita no orçamento", lembrou.

"Felizmente, o Bloco de Esquerda parece estar com uma posição diferente este ano", apontou.

"Assim espero que seja e que, portanto, este ano não tenhamos só o contributo do PCP, do PAN, do PEV e das deputadas não inscritas para a viabilização do orçamento e que possamos voltar a contar com o BE. Mas enfim, aí é o BE que tem de falar por si, não posso eu falar pelo BE", concluiu.

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