Costa defende mais cooperação com China e lembra que abre porta a grandes mercados

O primeiro-ministro salienta as relações diplomáticas e de "amizade" entre Lisboa e Pequim, sobretudo no âmbito do Fórum de Macau e com os países lusófonos, mas considera que a recuperação das economias atingidas pelo impacto da pandemia e pela invasão russa da Ucrânia exige agora outros estímulos e resultados.

O primeiro-ministro defendeu o reforço da cooperação com a China e lembrou que Portugal abre a porta a grandes mercados como a União Europeia (UE), América Latina e África, sobretudo pela relação com países lusófonos.

As declarações do primeiro-ministro português, António Costa, foram feitas num vídeo divulgado este domingo na cerimónia de abertura da reunião extraordinária ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).

O governante salientou as relações diplomáticas e de "amizade" entre Lisboa e Pequim, sobretudo no âmbito do Fórum de Macau e com os países lusófonos, mas defendeu que a recuperação das economias atingidas pelo impacto da pandemia de covid-19 e pela invasão russa da Ucrânia exige agora outros estímulos e resultados.

António Costa sustentou que "a superação dos impactos socioeconómicos depende das medidas de estímulo" e da exploração de novas oportunidades, recordando que Portugal é "uma porta de entrada para a União Europeia" e para outros mercados, como a América Latina e África, até pela "proximidade com os países de língua portuguesa".

Para isso, pediu uma melhor gestão de um fundo milionário chinês destinado a financiar a cooperação sino-lusófona, "mais consequente", nas regras e funcionamento.

Um apelo reforçado pelo embaixador em Pequim, José Augusto Duarte, que solicitou alterações ao nível dos "requisitos de elegibilidade" e expressou o desejo de que o fundo seja marcado por um "maior dinamismo", de forma a assegurar o financiamento de projetos produtivos das economias locais".

Em causa está um fundo de cooperação de quase mil milhões de euros criado pelo Banco de Desenvolvimento da China e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau.

Segundo o Fórum de Macau, o fundo, com quase dez anos de vida, alavancou um investimento total de mais de quatro mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) de empresas chinesas para países de língua portuguesa.

O embaixador em Pequim, por videoconferência, frisou ainda que, apesar de Macau ser uma "porta de entrada para o mercado chinês", no futuro "tem de se fazer mais" do que eventos de divulgação dos produtos.

Em 2003, a China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa e criou o Fórum de Macau.

O secretariado permanente do Fórum integra, além de um secretário-geral e de três secretários-gerais adjuntos, os delegados dos países.

Cinco conferências ministeriais foram realizadas no território em 2003, 2006, 2010, 2013 e 2016, durante as quais foram aprovados Planos de Ação para a Cooperação Económica e Comercial.

Inicialmente prevista para 2019, a sexta conferência ministerial foi adiada para junho de 2020, devido às eleições para o parlamento de Macau, mas não se realizou devido à pandemia de Covid-19.

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