Costa fala em prevalência de 90% da variante Delta em toda a Europa já em agosto

Em Bruxelas para o último Conselho Europeu com Portugal a presidir, o primeiro-ministro português referiu que é expectável que a nova variante dominante no país se alastre ao resto da Europa.

O primeiro-ministro, António Costa, admite que, no final de agosto, a variante Delta do novo coronavírus será responsável por 90% das infeções registadas na Europa.

Em declarações feitas em Bruxelas, onde vai participar no último Conselho Europeu da presidência portuguesa, António Costa afirmou que para este contágio rápido com a nova variante terá contribuído uma nova trajetória do vírus.

"[Prevê-se que] a variante Delta seja a variante [dominante] em 70% nos países europeus daqui a umas semanas e, no final de agosto, em 90%"; declarou o primeiro-ministro, acrescentando que "o sentido da circulação da pandemia se alterou significativamente".

"No passado, claramente, [a Covid-19] vinha de leste em direção ao ocidente - fomos dos últimos países a serem atingidos pela pandemia. Desde o início deste ano, como sabemos, tem-se verificado o fenómeno contrário. Portanto, espero que Portugal seja a última fronteira desta variante, mas receio que assim não seja, e não é a previsão que o ECDC [o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças] - pelo contrário, é que essa variante continue a expandir-se pelo resto da Europa", constatou António Costa.

Apesar de tudo, quando questionado sobre a possibilidade de alterar a matriz de risco da Covid-19, na qual se tem baseado para determinar o processo de desconfinamento, o primeiro-ministro rejeitou essa hipótese.

"A matriz que nós adotamos é a matriz que adota o centro europeu de controlo das doenças. Portanto, é absolutamente inútil nós alterarmos a nossa matriz, porque o centro europeu de controlo das doenças tem a sua matriz fixada e é em função dessa matriz que todos os países europeus vão fixando as regras", responde.

Em relação às afirmações da chanceler alemã Angela Merkel, que na cimeira desta quinta-feira deverá pedir aos Estados-membros da União Europeia (UE) que imponham restrições à chegada de pessoas oriundas de zonas de risco, António Costa afirma que respeitará a decisão que for tomada na reunião magna.

"Vamos discutir aqui no Conselho [da União Europeia] quais são as decisões que vamos tomar relativamente, mais uma vez, ao controlo de entradas de pessoas originárias de países terceiros, designadamente do Reino Unido - e Portugal tem seguido a doutrina de praticar aquilo que é acordado ao nível europeu (sendo, além de mais, presidência, ficava-nos particularmente mal não seguir o que é coordenado ao nível europeu)", lembrou Costa.

Esta quinta-feira, o Conselho de Ministros poderá decidir uma travagem no desconfinamento em Portugal a partir de 28 de junho. O país encontra-se, atualmente, na zona vermelha da matriz de risco, com uma incidência de 128,6 casos por 100 mil habitantes e um índice de transmissibilidade de 1,17.

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