Costa fecha (outra vez) a porta aos professores

Sentar à mesa para negociar o tempo congelado dos professores está fora de questão para António Costa; Rio admite "solução criativa" porque "dinheiro é escasso". Na saúde, as divergências também são muitas.

"Sobre esse tema não". Se alguém ainda tinha dúvidas, António Costa foi taxativo a desfazê-las: não se vai sentar à mesa com os professores para dar resposta à reivindicação de contagem integral do tempo de serviço, nem mesmo com "soluções criativas". No debate televisivo que colocou frente a frente António Costa e Rui Rio, o socialista sublinhou que a reposição que foi feita nesta legislatura foi "justa", tendo em conta as reposições na restante função pública, e que o governo devolveu aos professores aquilo com que se tinha comprometido: o descongelamento das carreiras.

Por isso mesmo, fecha a porta até mesmo a soluções criativas como a que o presidente do PSD colocou em cima da mesa e que pode passar, por exemplo, pela antecipação da reforma. "Comigo, [os professores] vão sentar-se à mesa para negociar, sabendo de antemão que a margem para reconhecer as carreiras em salário é muito escassa, mas pode ser feito de outra forma, com antecipação de reforma, redução de horários, com diversas formas que podemos e devemos sentar à mesa com os professores", explica Rui Rio numa piscadela de olho à classe que já tem prevista uma manifestação nacional para o dia anterior às eleições.

Estratégias diferentes no que concerne à educação, sendo que Costa sublinha que há muitos temas para discutir com os professores e que passam pela estabilização do local de trabalho. "Os professores são a única carreira da administração pública onde se leva muitos anos até serem efetivos numa escola", sublinha Costa que manifesta disponibilidade para discutir com os sindicatos um novo modelo na próxima legislatura.

PPP na saúde: uma questão ideológica?

"O Serviço Nacional de Saúde está melhor ou está pior?". A pergunta parece não ter uma resposta certa, vai depender do posicionamento político de quem responde e, (sobretudo) neste debate, a questão foi vincada pelos dois líderes partidários com muitos números à mistura. "Em 2015 como estava? Em 2019, como está? Está melhor ou está pior?", questiona o presidente do PSD.

António Costa tem os números na ponta da língua em relação há 4 anos: reposição de 1.600 milhões de euros cortados, mais 11 mil profissionais, mais 20 mil intervenções cirúrgicas, mais 700 mil consultas nos cuidados de saúde primários, mais 200 mil consultas hospitalares. Números apresentados pelo primeiro-ministro que diz que o serviço nacional de saúde "não está como se deseja" e assume a responsabilidade por ter "melhorado" o SNS. "Quando se diz que o serviço nacional de saúde está hoje pior do que há quatro anos, lamento mas não é verdade", nota Costa.

Rui Rio não se fica e cita um relatório de Acesso a Cuidados de Saúde no SNS para apontar um total de "menos 48 mil consultas médicas e de enfermagem". "Jogará outros números e ficamos aqui empatados em números, agora não ficamos empatados é nas pessoas que quando se dirigem ao SNS e veem como se encontra", responde Rui Rio que nota ainda a falta de medicamentos nas farmácias.

No que diz respeito à participação de privados no SNS, a posição dos dois líderes não é nova, mas foi aqui realçada.Rio insiste que a questão das parcerias público-privadas (PPP) não deve ser ideológica e sublinha que se os privados oferecem uma melhor gestão com menos custos, essa hipótese não deve ser posta de parte. "Há evidências e muitos relatórios dizem que sim", nota Rio sobre o bom funcionamento das unidades hospitalares geridas por privados.

No entanto, a fiscalização ("...um dos problemas crónicos de Portugal") da gestão das PPP tem de ser reforçada. Já António Costa reconhece que é preciso "inovar na gestão" da saúde, mas que salienta que não tenciona novas parcerias com privados. "A missão do Estado não é promover os privados mas um bom Serviço Nacional de Saúde", lembra o socialista.

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