Costa pede aos políticos que tenham a "humildade" de ouvir cientistas

Governo português lembra que "depois do que a ciência já disse é incontornável aquilo que os políticos têm de fazer".

O primeiro-ministro português, António Costa, sublinhou esta segunda-feira em Madrid a necessidade de os políticos terem a "humildade" de ouvir o que dizem os cientistas para depois terem a "determinação" de tomar as medidas contra o aquecimento global.

"Só há uma coisa a fazer que é ter a humildade de ouvir a ciência e ter a determinação de exercer o poder que temos para agir", disse António Costa aos jornalistas depois da sessão de abertura da Cimeira sobre as alterações Climáticas, conhecida como COP25, que irá decorrer até 13 de dezembro na capital espanhola.

Para o governante português, "depois do que a ciência já disse é incontornável aquilo que os políticos têm de fazer", sendo impossível que alguns ainda "virem a cara muito mais tempo" ou façam "como a avestruz" e enterrem a cabeça na areia.

António Costa deu o exemplo de Portugal, que "nos últimos anos já perdeu 13 quilómetros quadrados de costa" devido à erosão marítima, tem enfrentado um número "crescente" de incêndios florestais e, sobretudo no sul do país, uma situação de seca severa.

"Isto são as realidades que confirmam o que a ciência nos ensina e, assim como acontece em Portugal, acontece em todo o mundo", afirmou o chefe do Governo, que recordou a necessidade de o país fazer até 2030 "o esforço mais exigente" da luta contra as alterações climáticas, como está previsto no "roteiro" aprovado em Portugal.

Trata-se da década "mais exigente", porque 2030 é "assumido" pelos cientistas como o "ponto de não retorno".

"O maior esforço tem de ser feito já, de forma a podermos evitar atingir o ponto de não retorno", insistiu António Costa, acrescentando que o tempo até 2050 deve ser aproveitado para "completar o trajeto", já sem "esta espada por cima da nossa cabeça".

O primeiro-ministro recordou que o país começou a investir nas novas fontes de energia renováveis "há muitos anos atrás", tendo na altura havido pessoas que "não acreditavam" nas vantagens desse investimento que, segundo elas, tinha "um custo excessivo para o desenvolvimento".

António Costa acredita que Portugal pode continuar a "estar na frente" da luta contra as alterações climáticas com a questão dos oceanos, os grandes reguladores da temperatura à escala mundial.

Portugal irá organizar em conjunto com o Quénia em junho de 2020 a segunda conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos.

Por outro lado, "nós fomos o primeiro país em 2016 a aprovar a neutralidade carbónica em 2050 e espero que o Conselho Europeu [reunião dos líderes da União Europeia] faça a mesma coisa para toda a Europa na semana que vem", numa reunião em Bruxelas, disse o primeiro-ministro.

Para o chefe do Governo "é fundamental para o mundo" que a União Europeia mantenha uma "posição de liderança" na transição energética em curso.

A cimeira sobre o clima estava inicialmente prevista para se realizar no Chile, mas no final de outubro o Governo chileno decidiu cancelar o evento alegando não haver condições devido a um movimento de contestação interna e de agitação civil.

O Governo espanhol avançou com a proposta de organizar a grande conferência anual sobre Alterações Climáticas e conseguiu ter tudo pronto para a sua inauguração, em Madrid, apesar de a presidência da reunião continuar a pertencer ao Chile.

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