Costa pede "habitação adequada" para fixar jovens e dá impulso ao "dito interior"

Para o primeiro-ministro, a questão que se coloca entre "o tal interior" e "o tal litoral" é apenas uma questão de perspetiva.

A viver dois dias em Castelo Branco, com um périplo por todos os concelhos do distrito, António Costa passou pelo Fundão para a assinatura de 700 fogos de habitação acessível, no Fundão e em Gouveia, através dos milhões do PRR.

A bazuca centra parte das verbas em habitação, mesmo nos territórios despovoados, como é o caso do interior do país, pelo que o o primeiro-ministro lança, desde logo, um questão para que não restem dúvidas: "Porque precisamos de habitação nova, num território que todos os dias perde população e tem casas ao abandono?".

A resposta, perante a ministra da Habitação e vários autarcas, surge pouco depois, com o primeiro-ministro a defender que, em causa, está a necessidade de habitação adequada, para permitir que os jovens se fixem no interior do país.

"Há uma realidade. Para fixarmos os jovens que cá estão ou para atrair os jovens que hão-de vir ou as famílias que têm de vir para estes postos de trabalho, temos de ter habitação adequada a essa população", acrescentou.

Não são números, mas sim habitação com condições para responder às necessidades de cada um. António Costa puxa até a fita atrás, lembrando que foi autarca, e deparou-se com "o claro desajustamento das casas em Alfama" sem condições de mobilidade.

"Esse ajustamento entre a oferta da habitação e a procura da habitação não são peças de lego", atirou.

E, daí, surge a segunda questão lançada pelo primeiro-ministro. Com habitação condigna, quando a obra estiver concluída, é necessário atrair os jovens para o interior. Se há emprego, principalmente em empresas de tecnologia, qual a razão de os jovens rejeitarem o interior?

Para o primeiro-ministro, a questão que se coloca entre "o tal interior" e "o tal litoral" é apenas uma questão de perspetiva, dando o exemplo de Madrid que "é a cidade mais desenvolvida da península ibérica e está no interior de Espanha".

"Se olharmos para o quadro ibérico, verificamos que estas regiões não são do interior, mas estão mais próximas do centro da península ibérica", defendeu.

O primeiro-ministro apela ainda aos autarcas que comecem, desde já, a criar recursos para ficar população nos territórios mais despovoados. Apesar de cada um "ser avaliado de quatro em quatro anos", em eleições, esse trabalho "só será reconhecido dentro de vários anos, mas é necessário".

E, antes de terminar o discurso, António Costa voltou a pressionar os autarcas com uma ideia repetida: o PRR é mesmo para cumprir, como um todo.

"A responsabilidade que têm é muito sério. Não é só cumprir os 700 fogos, é garantir que até ao final de 2026 vamos cumprir o PRR", disse, já que se os 700 fogos não avançarem, no Fundão e em Gouveia, todas as restantes tranches ficam em causa.

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