Costa quer salário médio em valores de antes da crise mas "sem pés de barro"

O líder do PS defende maior justiça na repartição dos ganhos entre empresas e trabalhadores mas avisa que não quer "aumento salarial com pés de barro".

Em noite de encontro com militantes socialistas, em Lisboa, o secretário-geral do PS centrou a intervenção na politica de rendimentos, admitindo que o valor médio dos rendimentos ainda está abaixo dos valores pré-crise.

"É verdade que o salário mínimo nacional subiu 20% na última legislatura e que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, o conjunto dos salários médios subiu 11,3%. Mas a verdade é que o rendimento médio ainda está abaixo do valor anterior à crise", reconheceu António Costa.

"O crescimento económico tem que ser justamente repartido e se é importante que as empresas sejam robustas, também é fundamental que as famílias e quem trabalha veja maior justiça na repartição de rendimentos", defendeu o líder do PS.

O primeiro-ministro e líder do PS considera "fundamental que haja bom diálogo social" para um aumento "sustentado" dos salários.

"Nós não podemos ter aumentos com pés de barro, temos de ter aumentos sustentados no crescimento e que sejam eles próprios motores de mais crescimento económico", sublinhou António Costa que defendeu ainda que "o Governo deve ouvir antes de decidir, não só as confederações patronais como também os sindicatos".

Costa sublinhou que, na próxima semana deverá ficar fixado o valor do salário mínimo nacional para 2020, rumo ao aumento para 750 euros, no final da legislatura. O Governo mantém ainda que quer acordar com os parceiros sociais o calendário para um acordo sobre política geral de rendimento e de crescimento da economia.

"Sabemos bem que a competência para aumentar o salário mínimo nacional é do Governo e que não precisamos de acordo nenhum. Mas, numa sociedade democrática avançada, um Governo deve promover o diálogo e deve saber ouvir antes de decidir"

No dia da Igualdade Salarial, Costa lembrou que quando faltam 54 dias para o final do ano, "é esse o número de dias que as mulheres precisam de trabalhar mais do que os homens" por salário igual, o que considerou "inaceitável na segunda década do século XXI".

Na intervenção inicial, ainda com a porta aberta, António Costa disse que é preciso que "terminada a campanha, o PS se mantenha vivo". Dirigentes e ministros do PS vão durante o fim de semana explicar as linhas do Programa de Governo aos militantes socialistas.

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