Costa vai a jogo: não se demite, governa em duodécimos e é recandidato às legislativas

Primeiro-ministro não se esquivou das perguntas sobre o seu futuro na Assembleia da República e desafiou Marcelo a não avançar com a dissolução do Parlamento.

Do debate parlamentar desta terça-feira sobre o Orçamento do Estado para 2022 saíram três certezas em torno de António Costa: o primeiro-ministro não se demite se o documento for chumbado, está disposto a governar "em duodécimos" e será o candidato - e líder - do Partido Socialista em caso de eleições antecipadas.

"O dever do Governo, o meu dever, não é virar as costas num momento de dificuldades, é enfrentar as dificuldades e por isso eu não me demito!" Foi com estas palavras que Costa respondeu ao presidente do PSD, Rui Rio, quando questionou o primeiro-ministro sobre se este se demitia face ao anunciado chumbo.

Acabaria acusado, por Rio, de estar "agarrado ao lugar": "Nem sequer consegue ver o que todo o Portugal está já, neste momento, a ver."

Desfeitas as dúvidas quanto à continuidade do lugar, levantaram-se as relativas à forma como vai desempenhar o seu papel. Com ou sem "duodécimos"? O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha avisado que não admitiria essa solução e que, não havendo Orçamento, avançaria para a dissolução do Parlamento. Costa tem outras ideias.

"Quem sabe se não teremos que governar em duodécimos", admitia em pleno Parlamento, sublinhando que "em democracia há sempre soluções". E neste caso são três.

A primeira, "boa saída, é o Orçamento ser aprovado e tudo acabar bem". A segunda é a do Orçamento "não ser aprovado e haver regime de duodécimos". E a terceira fica nas mãos de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Não compete a nenhum de nós comentar, porque depende única e exclusivamente da avaliação do Presidente da República, é saber se haverá ou não eleições. Nós assumimos todas as nossas responsabilidades no entendimento de haver ou não eleições", garantiu o primeiro-ministro. Mas a porta da governação em duodécimos está aberta.

Restava então saber o que acontece se o Presidente da República decidir, então, avançar para eleições. Quem lidera o PS? Quem é o candidato socialista? A resposta não demorou a chegar.

Com o PSD em processo eleitoral interno, e a responder a uma deputada social-democrata, Costa não deixou de lançar a farpa ao mesmo tempo que marcava a sua posição: "Havendo eleições, a senhora deputada não sabe quem será o seu líder. Eu liderarei o meu partido. Esse é uma enorme diferença em matéria de estabilidade."

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