Governo confirma 35 surtos ativos em lares. "Em cada morte sentimos que falhávamos um pouco"

O Governo adianta que existem, hoje, "35 surtos ativos em todos os lares em Portugal" Ana Mendes Godinho garante que "não baixou os braços" mas Marta Temido não promete o fim de novos casos: "Temos de ser melhores para a próxima".

"Houve planeamento" e "o Governo não baixou os braços": a duas vozes, com as ministras da Saúde e do Trabalho, o Governo explicou aos deputados como agiu no caso dos surtos de Covid-19 em lares de idosos (são 35 os surtos ativos) e prometeu informações sobre o apuramento de responsabilidades "daqui a não muito tempo".

"Não podemos garantir que um surto deste tipo não se volta a repetir", admitiu a ministra da Saúde que garantiu, no entanto que "aprendemos muito com aquilo que não correu bem".

"É evidente que houve um conjunto de aspetos que não corream bem neste caso", reconheceu Marta Temido.

Já Ana Mendes Godinho explicou que a 12 de julho foi pedido ao Instituto de Segurança Social que fizesse uma avaliação da situação do lar e perceber se houve um cumprimento das normas., informação também enviada ao Ministério Público.

A ministra do Trabalho referiu ainda um outro relatório pedido à Inspeção-Geral do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garantindo que tudo fez para apurar o que se passou no lar de Reguengos de Monsaraz.

Ao lado a ministra da Saúde Marta Temido chegou a dizer que "em cada uma destas mortes sentimos que falhávamos um pouco".

Aprendeu-se muito e de uma forma pesada" admitiu a ministra. " Isso leva-nos a pensar que temos de ser melhor para a próxima e é isso que estamos a fazer", garantiu.

Na contabilidade diária, o Governo regista "35 surtos ativos em todos os lares em Portugal", adiantou Ana Mendes Godinho.

"Relativamente às brigadas de intervenção, não se iludam, temos equipas há muito a trabalhar e não estamos a correr atras do prejuízo", garantiu, por seu lado, a ministra Marta Temido.

A ministra da Saúde aproveitou também para dizer aos deputados que, apesar de "todos os contributos para os esclarecimentos serem importantes", o Governo já tinha em curso avaliações antes mesmo da Ordem dos Médicos ter partilhado publicamente o resultado do relatório ao surto no lar de Reguengos de Monsaraz.

"A nossa grande preocupação tem sido nunca baixar braços" garantiu, por três vezes, Ana Mendes Godinho sublinhando essa "tem sido a prioridade desde março".

A ministra da Saúde aproveitou também para dizer aos deputados que, apesar de "todos os contributos para os esclarecimentos serem importantes", o Governo já tinha em curso avaliações antes mesmo da Ordem dos Médicos ter partilhado publicamente o resultado do relatório ao surto no lar de Reguengos de Monsaraz.

Na audição, a ministra da Saúde adiantou que já foram realizadas mais de metade das visitas de acompanhamento por parte das equipas multidisciplinares aos lares de idosos. Das 2628 instituições recenseadas na base de dados, já foram visitadas 1323 instituições.

Marta Temido admite que a distribuição "é bastante assimétrica": se na região do Alentejo e Algarve foram visitadas todas as instituições, só houve ainda visitas a 30% dos lares que se encontra na região Norte e existe uma "situação mais complexa na região de Lisboa e Vale do Tejo".

Ana Mendes Godinho, a ministra do Trabalho disse aos deputados que em 3 anos foram encerrados 407 lares ilegais e adiantou que, esta semana, haverá um reforço de 150 funcionários para Segurança Social para "reforçar a capacidade de meios".

"O nosso objetivo é conseguir permanentemente implementar as medidas necessárias para proteger as pessoas", disse a Ministra do Trabalho invocando o reforço de meios financeiros e humanos, com dezoito brigadas que vão estar no terreno e a criação de uma linha telefónica "só de apoio" ao lares de idosos, que irá funcionar 24h por dia e sete dias por semana, além do reforço na testagem dos trabalhadores dos lares, "com critérios de níveis de risco em função da dimensão e risco".

Também presente nesta audição a ministra da Saúde Marta Temido afirmou que "desde março" a Direção Geral da Saúde avançou com diretivas especiais para os lares.

"O Governo não deixou de "planear e de ponderar as várias respostas, adaptando as soluções" ao longo do tempo.

As duas ministras estão a prestar esclarecimentos numa audição conjunta nas comissões parlamentares de Saúde e de Trabalho e Segurança Social na sequência de requerimentos apresentados pelo CDS-PP, PSD e pelo Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que foram aprovados por unanimidade no passado dia 03 de setembro pela Comissão de Trabalho e Segurança Social.

O surto de Covid-19 no lar em Reguengos de Monsaraz, foi detetado em 18 de junho e provocou 162 casos de infeção e 18 mortes.

*Notícia atualizada às 14h00

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