Creches gratuitas para todos já no próximo orçamento do Estado

A Coligação Democrática Unitária (CDU) quer o alargamento das creches gratuitas a todos os escalões do IRS e vai negociar a ampliação já no próximo orçamento do Estado.

Jerónimo de Sousa congratula-se com o alcance que os comunistas conseguiram da gratuitidade das creches para famílias dos primeiro e segundo escalões, mas apenas para quem tem um segundo filho. Ainda assim, numa sessão com pais e mães, na Quinta das Conchas, no Lumiar, em Lisboa, o secretário-geral do PCP referiu que a abrangência não é satisfatória, é curta.

Recorde-se que a proposta do PCP aprovada foi de creches gratuitas para o primeiro escalão e, no caso de um segundo filho, também para o segundo escalão. Dois meses depois, o governo estendeu a gratuitidade a todos os detentores do segundo escalão com apenas um filho.

Assim, no orçamento do ano passado "entreabriu-se a porta", mas para Jerónimo de Sousa foi apenas um passo. "Foi muito exigente o diálogo, tendo em conta a resistência do Partido Socialista, mas foi possível concretizar este passo, tão importante para jovens casais", afirma.

Num país com salários baixos, precariedade dos jovens e horários desregulados é preciso ir mais longe. "Apontamos a necessidade de abranger outros escalões", criando uma rede pública de creches e combatendo o défice demográfico que o país atravessa.

As negociações começam já no próximo Orçamento do Estado. "Isto não se faz sem verba orçamental. Definimos como objetivo 100 mil crianças com direito a creche gratuita e insistimos na ideia de que isto não é uma despesa, não é para aumentar o défice, é um investimento", refere. "Não se trata de atamancar com esta ou aquela solução, mas sim uma medida de fundo que tem muito a ver com o país que queremos ter no futuro", explica.

A medida da rede de creches gratuitas até aos 3 anos vai implicar despesa orçamental, mas o secretário-geral do PCP considera matéria de fundo e espera consenso universal, até porque se trata de uma medida que interessa a todos os portugueses, independentemente da cor política.

Na Quinta das Conchas, em Lisboa, Jerónimo de Sousa ouviu Márcia Barbosa, mãe de três filhos, dizer que "parecia uma criança a receber uma prenda de Natal", quando lhe ligaram a comunicar a gratuitidade da creche e quando soube que iria poupar mensalmente perto de 200 euros. Um alívio para quem recebe pouco mais do que o ordenado mínimo. "Como é que alguém que recebe o ordenado mínimo vai ter outro filho? Tem de escolher entre isso ou passar fome", contou.

A ideia foi corroborada por Sofia Lisboa, garantindo que "é cada vez uma decisão mais tardia dos casais", por haver, cada vez mais, famílias com baixos salários e com vínculos precários, que são "decisivos". "É uma questão de estabilidade, mesmo com baixos salários, muitas vezes decide", argumenta.

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