Crescimento, salários e segurança social. Costa debateu com Cotrim, mas não esqueceu Rui Rio

Cotrim de Figueiredo defende que "trabalhar em Portugal não compensa" e Costa lembra os que não querem aumentar o salário mínimo.

António Costa e João Cotrim de Figueiredo até concordam que Portugal está a crescer 2,8 por cento por ano, mas com "perspetivas diferentes". O líder dos liberais admite que "não compensa trabalhar em Portugal", já o atual primeiro-ministro criticou a "visão aventureira" da direita, nunca esquecendo Rui Rio.

No último debate de PS e Iniciativa Liberal (IL), antes do arranque da campanha para as eleições legislativas, António Costa e João Cotrim de Figueiredo concordaram nos números, mas discordaram na viabilização económica do país.

O presidente da IL lembra que "se compararmos Portugal com outros países da União Europeia, a média desses países é 3,8 por cento superior" ao crescimento português. Já António Costa recua 22 anos e nota que "nos quatro primeiros anos do Governo socialista, crescemos sete vezes mais do que nos quinze anos anteriores".

"Se não significa que avançamos relativamente à situação de estagnação, não sei o que significa virar a página da estagnação", atirou Costa.

João Cotrim de Figueiredo quer reduzir as "taxas e taxinhas" que existem em Portugal, e defende uma taxa única de IRS. Para o líder dos liberais, trabalhar em Portugal "não compensa" e dá o exemplo do "José".

"Vamos falar do José, que ganha 800 euros e a empresa quer aumentá-lo para 900 euros. Aumentar o José em cem euros, o Estado fica com 47 por cento do aumento. Isto não é possível. Não compensa trabalhar em Portugal", justifica.

António Costa, por outro lado, assume que "o grande desafio do país é melhorar o rendimento coletivo", e defende que "os que se opõe ao aumento do salário mínimo são os últimos que são confiança de que os salários vão subir".

O atual primeiro-ministro apontou, assim, críticas à direita, a começar por Rui Rio, que foi o "presente-ausente" no debate. António Costa falou também no modelo que os liberais querem para a Segurança Social e, mais uma vez, não esqueceu o presidente do PSD.

"O modelo de Segurança Social que a IL defende, assenta na seguinte ideia: pelo menos metade dos descontos devem ser atribuídos a um modelo de capitalização, ou seja, devem ser investidos em bolsa. É um modelo semelhante ao que Rui Rio disse que concordava. Ora, esse sistema, deixa completamente desprotegida as poupanças", garante.

Num outro tema, sobre os quatro dias de trabalho por semana, que o PS quer colocar em cima da mesa, Cotrim de Figueiredo defende que a ideia é "irrealista", já que o número de horas trabalhada por semana "tem pouco a ver com produtividade".

António Costa explica, no entanto, que o PS "não está a falar de 30 horas de trabalho semanais, mas sim de organização horária". "Podemos trabalhar quatro dias por semana, mas mais horas em cada dia", disse, assegurando que a discussão vai ser "serena" com os parceiros sociais.

Nos últimos minutos do debate, António Costa recuou, novamente, ao passado, lembrando que "as famílias só em IRS já recuperaram 6,7 mil milhões" desde que o Executivo socialista entrou em funções.

"Isto significa que o país não se pode lançar em aventuras de taxas únicas em que quem ganha 30 mil ou 300 mil paga o mesmo", defende.

Quanto à regionalização, Costa reafirmou que o PS quer propor um referendo em 2024, sem que implique crescimento da dívida pública ou crescimento da despesa. João Cotrim de Figueiredo não descarta a hipótese, mas quer que as competências e os custos que transitam para as regiões estejam definidas antes de os portugueses irem às urnas.

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