"Crime" na TAP? Ministro diz a Montenegro que é preciso conhecer "a história e o processo"

Pedro Nuno Santos pergunta ao líder do PSD se deixaria falir a companhia e explica que a decisão de reverter a privatização passava por garantir que Portugal não perdia, para os espanhóis, o negócio do transporte aéreo.

A resposta às críticas que Luís Montenegro deixou, neste fim de semana, ao Governo devido ao negócio da TAP chegou, esta segunda-feira, pelo ministro das Infraestruturas: o líder do PSD devia conhecer melhor a história da companhia aérea. Este sábado, no final da Convenção Autárquica Distrital do PSD de Coimbra, em Montemor-o-Velho, Montenegro tinha dito que a reversão da privatização da TAP foi um "crime político e financeiro, que tem custos".

Dois dias depois, em Freixo de Espada à Cinta, Pedro Nuno Santos não deixou a oposição sem resposta nem reparos: "Ao líder do PSD exige-se mais, se quer disputar eleições para primeiro-ministro, do que fazer declarações... Temos de conhecer a história e o processo."

O ministro defende que a reversão da privatização da TAP "não tem nada a ver com o que é feito em 2020" e explicou que, se a companhia aérea, "na altura da pandemia, fosse 100% privada", o Estado iria intervir "na mesma".

"Intervencionamos a companhia aérea não porque quiséssemos que 100% do capital da empresa fosse público, mas porque não queríamos perder o hub. Não queríamos que Portugal deixasse de ser uma porta de entrada de milhões de passageiros na Europa", sustentou.

O governante justificou também a decisão do Governo com a necessidade de garantir que Portugal não perdia, para os espanhóis, o negócio do transporte aéreo: "O que o hub e a TAP dão a Portugal é um negócio de grande dimensão que, se o perdêssemos, ia ser capturado exclusivamente pelos espanhóis e por Madrid."

Questionado sobre os custos para os portugueses, Pedro Nuno Santos considerou que custaria "muito mais aos portugueses, a Portugal, à economia portuguesa deixar cair a TAP e este é que é o ponto".

"Nós perderíamos milhares de milhões de euros sem um 'hub'. Portugal tem uma posição periférica no quadro europeu e isso é uma desvantagem, só que tem também uma centralidade na relação com o Atlântico que é uma vantagem e nós para aproveitarmos essa vantagem temos que ter um hub na Península Ibérica que possa concorrer com um outro hub que é em Madrid", frisou.

E continuou: "Se nós quisermos perder todos os ativos que são fontes de negócio em Portugal, bom, então isso é sinal de que se desiste do país e nós não desistimos do país". Pedro Nuno Santos refere que, em 2020, estava em causa "assegurar que a TAP não desaparecia" e nega qualquer ligação à reversão da privatização de 2015.

Justificada, nas palavras do ministro, a decisão, Pedro Nuno Santos voltou a deixar alertas aos políticos: "Exige-se mais do que fazer discursos em comícios. Exige-se pensar politicamente, exige-se ter experiência e exige-se assumir o que se faria na altura."

Dirigindo-se especificamente a Montenegro - que "nunca disse" o que faria -, Pedro Nuno Santos deixa a pergunta: "Teria ou não deixado a TAP falir? E o que é que isso significaria, ou não, para o país?"

Questionado sobre se já há interessados na reprivatização da TAP, o ministro recusou adiantar essa informação e prometeu falar apenas quando houver novidades.

"Neste momento há uma opção estratégica que não é nenhuma contradição, porque nós não intervencionamos a TAP para que ela fosse 100% pública, nós intervencionados a TAP para que ela não desaparecesse. Nós estamos numa fase muito inicial desse processo. Há essa opção estratégica, vamos dar tempo e quando houver novidades sobre o tema nós daremos", salientou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de