Dado o "cartão vermelho" à crise política, Costa quer "reconciliar" o povo e a maioria absoluta

António Costa compromete-se a manter o "diálogo com todas as forças políticas", exceto uma, e diz ficar agora à espera que Marcelo "chame uma personalidade para formar Governo".

"Esta noite é muito especial para mim." As palavras de António Costa, que reconheceu estar emocionado, abriam a porta à celebração da maioria absoluta com "117 ou 118 deputados" conseguida pelo Partido Socialista (PS) este domingo.

O ambiente no hotel Altis era de festa assumida, mas Costa não quis deixar de garantir que maioria absoluta "não é o poder absoluto nem governar sozinho" e, por isso mesmo, prometeu o "diálogo com todas as forças políticas".

Todas, menos uma. Todas exceto "com aquela com que disse que não vale a pena consumir tempo de diálogo", o Chega de André Ventura, que tem agora um grupo parlamentar.

"Depois de seis anos como primeiro-ministro, os últimos dois num combate sem precedentes contra uma pandemia, é com muita emoção que assumo a responsabilidade que os portugueses me confiaram", disse perante a festa socialista que conquistaria com mais uma frase curta, mas certeira.

"O povo votou e o PS ganhou." Os aplausos foram imediatos. Eram música para os ouvidos de um primeiro-ministro que, passada a crise política, a quem o povo deu um "cartão vermelho", via-se reforçado com uma vitória "da humildade, da confiança e pela estabilidade".

Com a votação deste domingo, os portugueses "desejam um Governo do PS para os próximos quatro anos", algo que ficou plasmado nos resultados de forma "inequívoca", na leitura de António Costa.

Proteger a independência do poder judicial, cooperar com as instituições, promover a descentralização e cooperar com os órgãos de soberania foram os objetivos socialistas realçados pelo primeiro-ministro que vai, assim, continuar a trabalhar com o Presidente da República reeleito há um ano, Marcelo Rebelo de Sousa.

Nessa relação, e na relação com o poder agora reforçado, Costa garante que não vai ser o próprio a "pisar o risco", até porque a maioria absoluta "só foi possível" com o voto de muitos portugueses "de outras origens políticas" e que entenderam que só o PS "podia garantir as melhores condições de estabilidade no país".

"Saberei interpretar fielmente o mandato que me foi conferido", garantia, antes de explicar que quer aproveitar a oportunidade para "reconciliar os portugueses com a ideia de que as maiorias absolutas e a estabilidade são boas para a democracia".

Esta maioria "nasceu da vontade dos portugueses" e não de outras combinações políticas, garante, com "mais de dois milhões" de votos.

Sobre o tamanho do Governo, Costa repetiu a ideia de que vai ser uma "task force para o progresso" - algo que já tinha anunciado - e fica agora à espera que o Presidente da República "chame uma personalidade para formar Governo".

"Se for eu, nessa altura apresentarei o Governo", concluiu.

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