Das precipitações à passividade do Governo. Partidos reagem ao atraso na auditoria ao Novo Banco

A TSF falou com diferentes partidos sobre a demora da Deloitte na análise às contas do Novo Banco.

A apresentação do relatório à auditoria ao Novo Banco foi adiada. A Delloite tinha até esta sexta-feira para divulgar o documento, mas o Ministério das Finanças já fez saber que os resultados ainda não vão ser conhecidos.

João Paulo Correia, deputado do PS, considera que não é relevante se os resultados da auditoria atrasam alguns dias. "Todos esperamos pelo relatório da auditoria, que foi determinada há cerca de um ano. Portanto, não é por alguns dias que devemos cair em precipitações erradas", atira.

O deputado socialista, por outro lado, critica as palavras de Rui Rio quanto à gestão no banco, e desafia o líder do PSD a denunciar o caso ao Ministério Público (MP).

"O que não percebemos é o nervosismo do Dr. Rui Rio que nos últimos dias têm dito que há gestão criminosa no Novo Banco, relacionada com a venda de ativo. Se o Dr. Rui Rio tem alguma coisa a denunciar ao MP, deve ser consequente com as suas palavras e fazer uma denúncia."

João Paulo Correia diz que o partido vai aguardar que o relatório chegue às mãos do Governo e da Assembleia da República, que deverá ocorrer "dentro de dias". Só depois o PS vai tomar uma posição pública sobre o caso.

A tranquilidade do socialista contrasta com a preocupação do líder do PAN, que fala em ligeireza. Em declarações à TSF, André Silva diz que a Deloitte está a desrespeitar os portugueses e que o Governo não tem mão na banca.

"Tudo isto demonstra a ligeireza e a subserviência com que o Governo e o ministro João Leão pautam a sua relação com a banca, e é algo que nos preocupa. Por muito complexa que esta auditoria seja, a postura da Deloitte demonstra desrespeito pelos cidadãos, e que a consultora está a gozar com o pagode. É claro para todos que os dados que vão ser revelados pela auditoria são de enorme interesse público e é objeto que tenhamos conhecimento deles para esclarecer os recentes escândalos", atira.

O líder do PAN recorda ainda que o último injeção de dinheiro no Novo Banco foi precipitada. "Toda esta complexidade associada aos casos tornados públicos nos últimos dias demonstram quão errada e precipitada foi a transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco feita por Mário Centeno em maio."

André Silva vai mais longe e afirma que a transferência serviu apenas para facilitar a vida de Mário Centeno, que acabou nomeado governador do Banco de Portugal.

Mariana Mortágua quer que o Governo apresente conclusões preliminares

A TSF falou também com Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que considera o atraso "lamentável". A deputada bloquista lembra ainda que esta operação custou o triplo da auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD).

"Estamos a falar de uma auditoria que a Deloitte ficou de fazer às contas do Novo Banco. Custou três milhões de euros, o triplo da auditoria à CGD. A Deloitte já teria pedido um outro adiamento ao Governo, que foi recusado. Ainda assim, não entregaram a auditoria."

Mariana Mortágua desafia o Governo a assumir o erro ao injetar 850 milhões de euros no Novo Banco, sem ter conhecimento dos resultados da auditoria. "Aquilo que tem de ser feito é admitir o tremendo erro de injetar 850 milhões de euros no Novo Banco sem conhecer a auditoria. Além de travar vendas de ativos ou qualquer operação, o Governo tem de comunicar à Assembleia da República as conclusões preliminares que vão ser transmitidas pela Deloitte ainda esta semana", afirma.

A mesma posição é partilhada por Duarte Alves, deputado do PCP. O comunista nota que é importante tirar ilações da auditoria e que o prazo tinha de ser cumprido.

Duarte Alves lembra ainda que o PCP sempre mostrou preocupações com a gestão da Lone Star ao banco, e lamenta a passividade do Executivo. "É pena que o Governo não tenha acompanhado devidamente as preocupações que o PCP manifestou desde 2018, sobre a gestão de ativos da Lone Star no Novo Banco. Os alertas foram vários e os indícios também eram conhecidos. O governo deveria ter tomado medidas há mais tempo", remata.

A Deloitte não vai entregar uma versão final da auditoria ao Novo Banco, mas apenas "conclusões preliminares". A informação não caiu bem ao Governo, que ordenou um travão às vendas de ativos.

Num comunicado divulgado na quinta-feira à noite, o Ministério das Finanças lamentou que o auditor não apresente "ainda a versão final e definitiva do relatório da auditoria". Espera, no entanto, que o documento seja concluído e dado a conhecer ao Governo e aos partidos no "mais curto prazo possível".

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