Data do 25 de Novembro de 1975 ainda divide partidos no Parlamento

Foram aprovados dois votos, um mais ideológico, do CDS, e outro mais neutro, do PS. Bloco, PCP e PEV votaram contra os dois.

Com referência direta ou indireta ao 25 de Novembro de 1975, havia dois votos em análise: um do CDS, de saudação apresentado pelo 44º aniversário da operação militar de 25 de Novembro de 1975, e o outro, menos ideológico, apresentado pelo PS, de "saudação à construção da democracia em Portugal".

Os dois votos foram aprovados, embora com diferente composição: o voto CDS contou com o apoio de sete deputados do PS, entre eles, Ascenso Simões e Sérgio Sousa Pinto, além de ter tido o voto favorável de PSD, Iniciativa Liberal e Chega; PS, PAN e Livre abstiveram-se, enquanto o Bloco de Esquerda, PCP e PEV votaram contra. Já​ o voto do PS mereceu também os votos contra do PCP, Bloco e PEV, teve o apoio do PSD e Iniciativa Liberal, com a abstenção do CDS, do Livre, do Chega e do deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, que se afirmou, em jeito de declaração de voto "contra o revisionismo e amálgama" em algumas versões sobre os primeiros anos da democracia portuguesa.

Antes da votação, o deputado centrista Telmo Correia lamentou que a data do 25 de Novembro de 1975 esteja a ser "esquecida e ignorada".

"O 25 de Novembro de 1975 é uma data decisiva para que a revolução de 25 de Abril de 1974 não tivesse gerado uma nova Cuba ou Albânia, mas representasse a construção do Estado de Direito democrático", defendeu o deputado do CDS.

A 25 de Novembro de 1975, "o povo português colocou-se do lado da liberdade contra a tentativa de substituir uma ditadura por uma outra de sinal contrário", lê-se no voto do CDS, onde se presta homenagem aos generais Ramalho Eanes e Jaime Neves, "cuja coragem e determinação foram decisivas para travar o processo revolucionário", assim como aos então líderes "dos partidos democráticos, PS (Mário Soares), PSD (Francisco Sá Carneiro) e CDS (Freitas do Amaral), pelo seu compromisso inquebrantável com os valores da liberdade e da democracia".

Por seu lado o deputado socialista Pedro Bacelar de Vasconcelos preferiu manifestar o "orgulho no papel então desempenhado por figuras como Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Freitas do Amaral e Álvaro Cunhal". Todos "conseguiram ultrapassar as dificuldades no processo de transição democrática", apontou.

O deputado do PS sublinhou que "ninguém pode minimizar a importância de 48 anos de resistência à ditadura" até ao 25 de Abril de 1974, sendo aplaudido, neste ponto, pela bancada do PS e também por deputados do Bloco de Esquerda, entre eles, Catarina Martins.

Menos ideológico, o voto do PS visava "o propósito de superar ressentimentos e fraturas artificiais e sem qualquer cedência a objetivos de instrumentalização histórica para fins descontextualizados".

"A 25 de Novembro de 1975, data relevante do processo democrático iniciado com a Revolução do 25 de Abril de 1974, confirmou-se o caminho sufragado nas eleições para a Assembleia Constituinte rumo a uma sociedade aberta e pluralista, tolerante e sem discriminações, firmando um compromisso duradouro da nossa ordem constitucional para com a democracia representativa e os direitos fundamentais, no quadro de um Estado de Direito democrático", lê-se no texto apresentado pela bancada do PS.

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