De Fafá de Belém ao coração de D. Pedro: como Marcelo entreteve e ilustrou as boas relações entre países

O que é que as relações entre Portugal e Brasil, o coração de D. Pedro IV e chamadas noturnas de Fafá de Belém têm em comum? Todos foram protagonistas de um discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, em São Paulo, no qual o Chefe de Estado insistiu que as relações estão bem e recomendam-se.

Foi um Marcelo Rebelo de Sousa bem-disposto aquele que apareceu na receção à comunidade portuguesa, em São Paulo. À hora em que devia estar a ir para Brasília, estava a falar de quão boas são as relações entre os dois países e a todos os níveis: entre povos, autarcas, empresas, universidades e até governos.

"Entre governos tem fluido muitíssimo bem, de vez em quando surge a especulação sobre o A, o B e o C, mas são coisas rigorosamente menores", destaca Marcelo que, sobre relações entre Chefes de Estado não diz nada, apesar de já ter tido a sua quota parte durante esta viagem ao Brasil.

Considerando que "as realidades que são fundamentais estão a funcionar bem" e "permanentemente", o Presidente olha para o futuro para salientar que "vai ser ainda mais", mas também olha para o passado e para a história de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal que deixa o resto do mundo perplexo para concluir que tudo o que se passa nas relações entre os dois lados do oceano são "sempre um problema em família".

E se há coisa que Marcelo não se tem cansado de falar nos últimos dias é da crescente comunidade brasileira em Portugal: "Estamos nos 200 e tal mil brasileiros em Portugal, é uma brutalidade, uma ótima brutalidade", salienta o Presidente que também reconhece que é uma brutalidade que afeta o trabalho consular.

A falar sobre "a celeridade dos vistos", Marcelo Rebelo de Sousa sublinha que "é preciso ver que está a haver uma invasão de Portugal por brasileiros" e que não há "noção disso". "Não há consulados que aguentem, sobretudo com dois anos de pandemia, não há! Por muita imaginação que vai haver em relação a vistos de trabalho temporário e por aí em diante, não há, são milhares", reconhece o Presidente da República.

Tocando várias cordas dos vários discursos que tem feito por estes dias, o Presidente lembrou também um dos temas que deu que falar nos dois lados do Atlântico nas últimas semanas: o coração de D. Pedro. "Havia o problema do coração, vem ou não vem o coração de D. Pedro? Por um instante, vários corações portugueses e brasileiros pulsaram emocionados com o risco de o coração não poder vir porque Portugal não queria ceder o coração", aponta Marcelo dizendo que o país tinha de "investigar se o coração era daquela época e podia ser de D. Pedro" porque Portugal não ia mandar um "coração que não correspondesse às expectativas brasileiras".

Deixando os presentes bem-dispostos, Marcelo vai mais adiante para dizer que "o presidente da Câmara do Porto, ele próprio, chamou a si a decisão, ele traz o coração nas mãos, é aquela expressão portuguesa de 'eu tenho o coração nas mãos'". "Ele traz o coração nas mãos e aqui ficará até um ano, nunca vi um coração tão importante estar tanto tempo cedido, normalmente há cuidado no empréstimo de corações", brinca.

E já que falamos em corações, a dona do coração "vermelho vermelhusco" mais conhecido das duas pátrias, Fafá de Belém, também não foi esquecida no discurso de Marcelo que lembrou uns telefonemas noturnos da artista.

"Eu vou contar-vos que aqui a nossa Fafá, no meio da pandemia, em que nós estávamos a enfrentar a pandemia em Portugal, todo o mundo improvisando porque não se sabia o que era a pandemia, a Fafá dizia-me: eu preciso de ventilador, eu preciso de teste, eu preciso de material sanitário, não quer enviar para aqui para Belém do Pará? Vai ligar o prefeito...", recorda Marcelo.

"Eu recebia, tal como o governo, telefonemas dos prefeitos portugueses muito aflitos e dizia eu: 'Como é que eu vou explicar que Belém do Pará passa à frente só porque a Fafá é uma instituição luso-brasileira? Não é possível, é uma grande voz e grande presença, mas enfim'", atira Marcelo com a banda sonora das gargalhadas da própria e dos restantes.

Notas de um discurso bem-humorado do Presidente que deixou assim para o reprogramado último dia dois encontros políticos de alto nível, um com Michel Temer e o outro com Fernando Henrique Cardoso antes de iniciar a viagem de regresso a Lisboa.

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