De olho na "maioria absoluta", Costa afasta "papões" de falta de consenso e diálogo

Costa lembrou que, quando era autarca em Lisboa, negociou com os restantes partidos, mesmo com maioria absoluta.

António Cota voltou a pedir uma maioria absoluta para o PS, porque a esquerda "cortou as pernas ao Governo", mas assumiu que uma maioria não impede os socialistas de negociarem com os restantes partidos. Em Faro, no encerramento do quarto dia de campanha, o atual primeiro-ministro recuou aos tempos em que era presidente de câmara, mas foi mais longe, até ao confronto de Mário Soares e Álvaro Cunhal.

Num comício lotado, no Algarve, o secretário-geral do PS voltou a criticar a esquerda e a direita, e recuou ao chumbo do Orçamento do Estado, pedindo a Bloco de Esquerda e PCP que "não falem em desculpas", já que "quiseram cortar as pernas ao Governo".

"Não digam que afinal queriam negociar, porque tivemos vários meses a negociar. Quando chumbaram o Orçamento, chumbaram logo na generalidade, nem deram oportunidade de negociar na especialidade", recordou.

Num novo ataque à direita, António Costa voltou a falar nas propostas do PSD para a saúde, lançando a questão a Rui Rio: "Vai mudar a Constituição para deixar tudo na mesma?".

O primeiro-ministro deu, logo de seguida, a resposta, defendendo que os social-democratas "querem a classe média a pagar os cuidados de saúde".

"O Dr. Rui Rio, no debate que teve comigo e está gravado, foi muito claro. Disse que "deve ser tendencialmente gratuito, mas há os que podem e os que não podem"", atirou.

Numa tentativa de capitalizar os votos à esquerda, o líder socialista respondeu também aos que pedem diálogo e consenso, garantindo que a maioria absoluta não impede ninguém de negociar.

"Quero ser muito claro: que não haja papões, toda a gente me conhece. Quando fui presidente de câmara, tive de provar o ato mais importante que um município pode aprovar, o plano diretor municipal. Tinha maioria na câmara e na assembleia municipal, podia aprová-lo sozinho. Mas não, fiz questão de negociar com todas e com todos", recordou.

António Costa disse ainda que o PS "é o partido da concórdia nacional", lembrando confronto de Mário Soares e Álvaro Cunhal, durante o PREC.

"Evitámos a confrontação", disse, acrescentando que "na pandemia, o PS soube unir todo o país" para fazer frente ao vírus.

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