Debate das Rádios teve de tudo: Justiça, Saúde e até Ventura (mesmo sem estar lá)
Presidenciais 2021

Debate das Rádios teve de tudo: Justiça, Saúde e até Ventura (mesmo sem estar lá)

TSF, Antena 1 e Renascença organizaram o último debate com os candidatos presidenciais. Veja os principais momentos.

O debate das rádios, o último antes das eleições presidenciais, fez-se com seis candidatos à mesa. Organizado em conjunto pela TSF, Antena 1 e Renascença, os candidatos da esquerda atacaram Marcelo Rebelo de Sousa pelas carências na Justiça e na Saúde. Já o atual Presidente da República destacou-se ao pedir menos protagonismo para o Chega.

Apesar de não estar no debate, André Ventura foi chamado quando entrou em discussão o acordo para o Governo nos Açores. Tiago Mayan Gonçalves defendeu que o Presidente "deve interpretar o que é o equilibrio parlamentar" e que ele, se for eleito, "exigiria sempre acordos escritos na coligação que sustentaria esse governo". Isto, claro, se não houvesse maioria.

"Eu, enquanto presidente, quero ver quais os compromissos", sublinha dizendo que se nesses acordos existissem "atentados ao Estado de direito, regresso de pena perpétua, aí esse Governo nunca seria empossado."

Já João Ferreira disse que é preciso "uma atitude permanentemente vigilante" para cumprir e fazer cumprir a Constituição.

Ana Gomes sublinhou, depois, que Marcelo Rebelo de Sousa normalizou uma força que "admite cortar mãos a ladrões, e que insulta imigrantes e ciganos".

A candidata disse que não se pode "banalizar e normalizar" o Chega seja na República ou nos Açores, e lembrou Salvini e Le Pen, que "querem por um fim ao projeto europeu".

Pois bem, Marcelo respondeu, pedindo menos protagonismo para "figuras laterais que querem ser centrais". Marcelo Rebelo de Sousa diz que não se pode centrar o debate no Chega, dando destaque a Ventura que nem esteve presente.

O crescimento de forças antidemocráticas é também "fruto de lacunas e insuficiências para resolver os problemas dos portugueses", assume. "Acontecerá mais depressa se transformarmos em polo central da vida política, o que não pode ser."

Esta é "uma matéria de bom-senso", nota Marcelo Rebelo de Sousa. "É preciso relativizar o que tem de ser relativizado" e não dar demasiado protagonismo a "figuras laterais que querem ser centrais".

Já sobre sobre o acordo nos Açores que inclui o Chega, o recandidato a Belém diz que "o representante da República fez muito bem" em exigir um acordo escrito e compromete-se a fazer o mesmo se a questão se colocar no Parlamento nacional.

Esquerda apela à requisição civil

Na questão da saúde, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda lembrou que a situação pandémica "é dramática", e sublinhou que são necessárias medidas suplementares, como a "requisição de todos os meios". A candidata a Presidente da República defende a requisição civil na saúde: "Precisamos de mobilizar todos, mesmo", apelou.

Ana Gomes apontou o mesmo caminho, e garantiu que "não banalizaria o estado de emergência". O trânsito na cidade de Lisboa mostra que muita gente ainda não percebeu a gravidade da situação.

"Este não é o tempo para querelas ideológicas" sobre o papel dos privados, que "não estão a responder aos apelos do Governo para doentes com Covid-19. O Governo tem de decretar a requisição civil, defende Ana Gomes.

Marcelo candidato dá notícias como Presidente

A correr para um segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa despiu e vestiu o fato de Presidente e lançou duas novidades: as previsões dos especialistas apontam para apontam para 700 a 800 internados em Unidades de Cuidados Intensivos, na sexta-feira, e cinco mil internados nos hospitais portugueses. Revelou ainda que, na Cidade universitária, em Lisboa, está a ser instalado um novo hospital de campanha.

O atual Presidente lembrou que o novo confinamento é diferente ao de março, uma vez que as fronteiras estão abertas, tal como o número de trabalhadores nas empresas. "Há menos gente a confinar, pela natureza da situação", explicou

Quanto aos privados, o Presidente da República não coloca de parte a requisição civil: "Se tiver de ser, será utilizada", admite.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa não fala sobre se as medidas devem ou não ser mais restritivas, constatou apenas que "aquilo que Conselho de Ministros estará a ponderar a esta hora é restringir mais ou menos" o que está em vigor.

Ana Gomes aponta incoerências. "Convite a concertos nas igrejas?"

Ana Gomes assume que as próximas eleições vão ser fundamentais para a determinação de medidas no conbate à pandemia, com uma voz ativa do próximo Presidente. A candidata lembra o setor da cultura, "que se portou bem durante o confinamento e agora voltou a fechar".

"Fecharam-se teatros e cinemas, mas deixaram-se abertos os serviços religiosos. Isto é um convite a concertos nas igrejas?", questionou.

"O Presidente da República pode mobilizar os cidadãos, dando confiança. Não há vida se não vencermos a pandemia. O papel do Presidente da República é mostrar que este esforço é necessário. Os portugueses sempre foram capazes", sublinhou.

Justiça? "Não vimos nada da parte de Marcelo

Tiago Mayan Gonçalves voltou a defender que Marcelo Rebelo de Sousa devia ter reconduzido Joana Marques Vidal no cargo de Procuradora da República, apontando falhar à gestão no setor.

Para o candidato da Iniciativa Liberal se Joana Marques Vidal continuasse na Procuradoria-Geral da República não estariamos a braços com problemas como a diretiva "ilegal" que permite atos de investigação a inquéritos em curso ou o caso polémico do procurador europeu.

Para Ana Gomes, o Presidente da República "já tem poderes suficientes, é preciso é que os aplique". Em primeiro lugar, aponta que os "cidadãos começam a desconfiar das instituições e da justiça e isso é o que faz crescer as forças de extrema-direita".

Depois, partiu para o ataque a Marcelo: "Não basta fazer como fez PR, discurso no início do ano judicial, em 2016, com um pacto para a justiça que depois não valeu o papel em que estava escrito". Ana Gomes nota que esse pacto tem "muitas medidas relevantes", mas que não foram concretizadas.

Num tema bastante caro a Ana Gomes, a candidata sublinha que "a questão da corrupção precisa de justiça" e que não é possível continuar "com este bloqueio".

Também João Ferreira lembrou que a Constituição garante que "todos os cidadãos podem aceder à justiça para consagrar os seus direitos", e que em Portugal "há uma justiça para pobres e para ricos".

Marcelo Rebelo de Sousa ouviu, respondeu e admitiu que o acordo para a Justiça falhou, muito pelos "parceiros políticos", que não implementaram "aquilo que era mais fácil de aplicar". O Presidente da República sublinhou, no entanto, a melhoria do estatuto na magistratura.

Marcelo explicou que a digitalização foi aplicada na Justiça, embora existam poucas melhorias na corrupção económica, "onde se pode e deve ir mais longe".

"Políticos devem descer à terra" e ir para casa

Quanto à campanha, limitada pela pandemia, Vitorino Silva lembrou a mensagem que recebeu há dias das autoridades a pedir para que ficasse em casa, uma mensagem enviada a todos os portugueses.

O candidato de Rans lembra que está a fazer campanha de casa, "que os políticos devem descer à terra" e estar "onde está o povo". Ou seja, em casa.

"Não devia haver campanha na rua", defende Vitorino para quem "não vale tudo". "Os políticos não devem ter mordomias que o povo não tem", concluiu.

João Ferreira afirmou, igualmente, que "o povo não está em casa", muitos continuam a trabalhar para assegurar que o país continua a funcionar, lembrou João Ferreira.

O candidato do PCP defendeu que é preciso mais "meios de proteção da saúde" no local de trabalho e nos equipamentos de utilização pública, reforçar as equipas de rastreio encarregues de detetar as cadeias de contágio e reforçar a resposta das unidades de saúde.

André Ventura falhou o debate, uma vez que queria participar à distância. Está a fazer campanha no Norte do país, mas as regras eram claras: debate presencial. O convite foi endereçado pelas rádios ao candidato presidencial, mas sem sucesso.

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