Debate Rio-Catarina entre o fantasma da troika no PSD e do PREC no BE

Rui Rio e Catarina Martins estiveram frente a frente e reconheceram que têm conceções muito diferentes da sociedade portuguesa.

O debate entre os líderes do PSD e do BE foi centrado em questões económicas, com a Catarina Martins a "colar" o adversário ao passado da "troika" e Rui Rio a alertar para os riscos das nacionalizações bloquistas.

Os dois líderes "arrumaram" as divergências logo no início do debate, reconhecendo, ambos, que têm conceções muito diferentes da sociedade portuguesa, e passaram à frente, para a troca de argumentos e acusações, embora sem subir o tom nem perder o sentido de humor.

Logo no início, sobre em quem votar, se PSD ou BE, para evitar que o PS tenha maioria absoluta, a líder bloquista ironizou que Rui Rio já dissera que queria "enfraquecer o Bloco" nas legislativas, em vez de ganhar as eleições, ao que o líder social-democrata explicou, com uma gargalhada, que "se quisesse perder eleições tinha que ser internado".

E, já mais a sério, explicou que os objetivos do PSD passam ir a "eleições para ganhar" e por "retirar o PCP e o BE da esfera do poder", assim como a esquerda terá um objetivo inverso, com os partidos de direita.

Nos primeiros minutos do frente a frente, Catarina Martins tentou colar Rio ao passado recente do Governo de direita, do PSD e do CDS, que quererem "empobrecer o país", durante o período de intervenção da "troika", de terem feito privatizações "por tuta-e-meia".

Uma acusação que levou o presidente dos sociais-democratas a defender que o anterior executivo teve de aplicar um "programa que não era o seu", mas sim o negociado pelo governo do PS, de José Sócrates", que levou o país à bancarrota em 2011.

E foi nesta parte do debate que Rio comparou o programa eleitoral bloquista aos tempos de radicalização revolucionária, após a "revolução dos cravos", em 1975, o Processo Revolucionário em Curso (PREC), com a nacionalização de bancos e seguradoras, por causa das nacionalizações dos CTT, REN, EDP ou ANA.

"O que está no programa do BE é parecido ao PREC", afirmou Rio, que alertou para os riscos que estas medidas fazerem "disparar para patamares brutais" a dívida pública portuguesa, que é "a terceira ou quarta mais alta" na União Europeia e "uma das mais altas no mundo".

"Porque não são tostões, como diz o Bloco de Esquerda", atirou Rui Rio.

Catarina Martins respondeu com números, pelo menos quanto aos CTT e REN, dado que nas suas contas, a recuperação do controlo público destas empresas custaria 150 milhões de euros (50 milhões para a REN e 100 milhões para os CTT).

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