A resposta de Portugal. Decisão do Reino Unido é "absurda"e "errada"

Augusto Santos Silva espera que o Reino Unido "corrija uma decisão errada rapidamente".

Augusto Santos Silva diz que a decisão do Reino Unido é "absurda" e "perfeitamente injusta". O ministro dos Negócios Estrangeiros lembra que o Reino Unido tem 28 vezes mais óbitos do que Portugal, a sete vezes mais casos registados.

"É absurdo que o país com piores indicadores em matéria de pandemia imponha quarentena de passageiros provenientes de um país com melhores indicadores".

Augusto Santos Silva lembra as boas relações entre os dois países e espera que o Governo de Boris Johnson "corrija uma decisão errada rapidamente".

Questionado sobre o porquê de Espanha e Itália constarem na lista, o governante cita o Centro Europeu para o Controlo de Doenças, que garante que a interdição de viagens não é uma medida adequada para combater a pandemia. "As medidas necessárias são as que nós utilizamos. As pessoas veem que os portugueses se comportam nas praias, e ainda há duas semanas, vimos as praias ingleses amontoadas de gente".

Em declarações aos jornalistas, Augusto Santos Silva confirma que disponibilizou toda a informação às autoridades britânicas. A explicação, comunicada ontem à tarde, alerta para os novos casos de infeção.

"Se esse critério fosse usado isoladamente, as autoridades britânicas deviam ter levantado a quarentena com a Coreia do Norte, que regista zero casos e zero mortes nos últimos dias. Todos percebemos o absurdo disto."

Ainda assim, o ministro afirma que não está para nascer um conflito diplomático, mas os "países amigos tratam-se de outra maneira".

Reciprocidade? "Não faz sentido"

O ministro afirmou que que o Governo português não considera a quarentena uma medida eficaz. Não está, por isso, em cima da mesa utilizar o confinamento obrigatória como resposta aos britânicos.

"Não tratamos as pessoas oriundas próximas de nós, como se fossem suspeitos. Não é assim que nós vemos a relação entre os países".

Augusto Santos Silva lembra ainda que a comunidade britânica é a terceira maior em Portugal, com 35 mil cidadãos estrangeiros, e deixa uma mensagem: "Vocês são bem-vindos".

O Reino Unido é o maior mercado de origem para Portugal. Embora admita que o ano de 2020 vai ser muito difícil para o turismo, Augusto Santos Silva recorda que a retoma se faz com os turistas nacionais. "Esta decisão britânica deve levar-nos a ser mais enfáticos para fazermos férias entre nós".

Quanto à Madeira e aos Açores, Augusto Santos Silva volta a definir a decisão britânica como "absurda". O Governo de Boris Johnson publicou duas listas: sugere viagens para a Madeira e os Açores, mas não isenta os turistas das regiões autónomas portuguesas de quarentena obrigatória.

"Na prática publicaram duas listas: uma de conselhos aos viajantes, que consideram a Madeira e os Açores destinos seguros. Mas a outra lista, do Ministério do Interior, omite a Madeira e os Açores na lista dos territórios que livres de quarentena".

Augusto Santos Silva lança o repto: "Se conseguirem entender a racionalidade disto, tiro o meu chapéu".

Numa nota publicada na página oficial, o Ministério dos Transportes britânico excluiu Portugal dos "corredores de viagem internacionais" com destinos turísticos que o Reino Unido vai abrir para permitir aos britânicos passarem férias sem cumprir quarentena no regresso.

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