Deputado do CDS diz "chega p'ra lá" ao partido de Ventura

João Gonçalves Pereira critica aproximação ao Chega do líder centrista em entrevista à TSF e sustenta que a matriz do CDS "não permite conviver com partidos mais extremistas"

O deputado e líder da distrital de Lisboa do CDS, João Gonçalves Pereira, defendeu, este domingo, que um partido com a história do CDS que sempre privilegiou "um diálogo construtivo no espaço democrático", aliando-se em diferentes momentos ao PSD, mas também ao PPM ou ao MPT, deve dizer "chega p'ra lá" a partidos extremistas.

Sem nunca referir a entrevista do presidente do partido à TSF esta semana, em que Francisco Rodrigues dos Santos não fechou a porta a eventuais entendimentos com o Chega de André Ventura, João Gonçalves Pereira, sucessor de Assunção Cristas no Parlamento, argumenta, na página que detém no Facebook "Domingo às 18h", que a matriz centrista "não permite conviver com partidos mais extremistas".

"Quando chega a extrema direita, o CDS tem feito uma coisa que é dizer: chega p'ra lá. Uma vez que são partidos que vão contra a nossa matriz e o nosso posicionamento", salienta, acrescentando que "se o CDS entender fazer coligações por este país fora, em eleições nacionais, até no caso de apoio a candidatos presidenciais, deve ter sempre presente essa fronteira e essa fronteira não deve ser quebrada".

Gonçalves Pereira lembra que se os partidos de extrema-direita "sempre existiram", também "o CDS tem o direito de escolher com quem se deve ou não deve aliar", refere o também vereador e líder da distrital de Lisboa do partido, admitindo, no quadro dos partidos que surgiram nos últimos anos, diálogo com o Iniciativa Liberal ou o Aliança.

Esta quarta-feira, em entrevista à TSF, o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, quando questionado sobre uma possível coligação com o Chega já nas próximas autárquicas, respondeu que "depende do caderno de encargos", das "linhas vermelhas" do CDS e "das políticas concretas a avaliar localmente".

"Se a ideia é transformar o CDS num partido de protesto, que tenha um discurso de ódio, que coloque uma sociedade contra parte de si mesma, que se opte por um populismo agressivo, que semeie o medo e as fraturas sociais, o CDS não vai para esse discurso, como é óbvio", esclareceu.

Ainda assim, reconheceu que, se for alcançada uma "plataforma de entendimento programática" com o Chega, que "respeite os valores fundacionais do CDS e não enverede por uma espiral populista demagógica e de um discurso populista de ódio e de fratura social, o CDS terá disponibilidade desde que respeite sempre os seus princípios".

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