Derrota de Rio no Conselho Nacional significa fracasso nas diretas? Opiniões no PSD dividem-se

Há quem defenda a recandidatura de Rui Rio à liderança do partido, mesmo após o Conselho Nacional ter chumbado a proposta deste para o adiamento das eleições. Outras anunciam já o início de um novo ciclo para os social-democratas. O tema esteve em debate no Fórum TSF.

Salvador Malheiro defende que as eleições no PSD não se vencem no Conselho Nacional e apoia uma recandidatura de Rui Rio à presidência do partido. O social-democrata defende que o partido e o país precisam de Rio na liderança e espera que o líder do partido se reerga após a "derrota" no Conselho Nacional do PSD, que rejeitou a proposta de adiamento da marcação das eleições diretas.

A luta pela liderança do PSD esteve em debate, esta sexta-feira, no Fórum TSF. Na última noite, o Conselho Nacional do partido aprovou a marcação das diretas para 4 de dezembro e do 39.º Congresso para entre 14 e 16 de janeiro, depois de rejeitar a proposta entregue pela direção de Rui Rio para suspender o calendário interno até à votação do Orçamento do Estado. A noite ficou também marcada pelo anúncio da candidatura de Paulo Rangel à presidência do partido, com Rui Rio ainda sem anunciar se irá recandidatar-se.

Ouvido no Fórum TSF, Salvador Malheiro elogiou a postura de Rui Rio, que considera necessária para conquistar o maior número possível de votos.

"Para termos votos do outro lado, temos de os saber conquistar. Isso não é conseguido com uma oposição erosiva, corrosiva e frequente. É necessário ser assertivo e responsável, tal como o dr. Rui Rio tem feito ao longo deste tempo", defendeu o atual autarca de Ovar.

Quanto à candidatura de Paulo Rangel à liderança do partido, Salvador Malheiro admite que é "legítima", mas diz não compreendê-la.

"Há dois anos, numa situação muito mais complicada do presidente, o dr. Rui Rio, que tinha saído de uma derrota nas eleições legislativas, ele [Paulo Rangel] foi dos primeiros a estar ao seu lado e a apoiá-lo. Agora, que todos os objetivos foram conseguidos, em que o PSD tinha todas as condições para, em união, poder preparar uma alternativa, em que temos o Governo com altíssimos sinais de fragilidade, era altura de estarmos todos unidos em torno de um líder", atirou.

António Leitão Amaro considera que sinais claros de que estamos perante um fim de ciclo no PSD e que o partido tem agora a oportunidade de se afirmar como alternativa.

Para o antigo deputado social-democrata, a "derrota" de Rui Rio no Conselho Nacional abre caminho para a mudança. Quanto à candidatura de Paulo Rangel, rejeita a ideia de um "assalto ao poder".

"Foi o próprio Rui Rio que iniciou o processo eleitoral, portanto, não há aqui nenhum assalto ao poder de ninguém", lembrou Leitão Amaro, em declarações no Fórum TSF.

"Nós esperamos, e creio que muitos portugueses esperam, que o PSD possa finalmente ser alternativa e possa ser liderante", frisou o social-democrata, que está convicto de que, para tal, é preciso "necessariamente, um PSD diferente, um PSD novo", para o qual foi agora aberto caminho.

Também Pedro Duarte concorda que o Conselho Nacional abriu a possibilidade de o PSD se afirmar como uma oposição mais forte.

Há três anos, o social-democrata chegou a manifestar disponibilidade para se candidatar à liderança do partido, mas agora afasta essa possibilidade, por considerar que há alternativas, desde logo Paulo Rangel.

"Acho que, de facto, se está a abrir um ciclo novo na vida do PSD. Um ciclo novo não tem de ser, necessariamente, um ciclo contraditório com o que existiu antes, mas que é, talvez, mais adaptado ao que estamos a viver, às necessidades do país", referiu Pedro Duarte, que acredita que "é inevitável que se construa uma alternativa mais vigorosa" ao governo socialista, que diz estar a mostrar "sinais de desgaste".

Para Pedro Duarte, os portugueses têm de poder, no momento certo, "optar entre duas alternativas claras". "A saúde da democracia também se faz disso", reforçou, no Fórum TSF.

Quanto a Rui Rio, quer Leitão Amaro, quer Pedro Duarte defendem que qualquer que seja a decisão sobre uma eventual recandidatura, merece respeito, mas, para ambos, não se trata do homem certo para comandar o partido.

"Rui Rio é um político com inegáveis qualidades e não tenho dúvidas que ainda pode ser muito útil ao país. Estou convencido que a forma de não ser útil ao país não é nesta função de líder do PSD", afirmou Pedro Duarte. "Sinto que há um cansaço e um desgaste pessoal que, por vezes, tem tirado discernimento ao próprio Rui Rio".

Por sua vez, Miguel Poiares Maduro entende que a "derrota" de Rui Rio no Conselho Nacional mostra que o líder já não tem o partido com ele.

"[O Conselho Nacional do PSD] deu-lhe a entender que ele [Rui Rio] já não tem o apoio que tinha junto das estruturas do próprio partido", que discordam da "estratégia de oposição" adotada pelo presidente, notou o antigo ministro social-democrata, ouvido no Fórum TSF. Esta conclusão, sugere Poiares Maduro, pode levar Rio a sair e a não se apresentar na corrida às diretas.

Em relação à candidatura de Paulo Rangel, Miguel Poiares Maduro quer esperar para conhecer as propostas, para saber o candidato tem em mente para a "reforma dom próprio partido".

*com Manuel Acácio e Rita Costa

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