Desconfinamento? Escolas com luz verde, 22 concelhos no vermelho e Marcelo quer avançar

Os partidos revelam que o Presidente da República quer continuar com o plano de desconfinamento. Concelhos com elevada incidência podem não dar o próximo passo.

Os partidos com representação parlamentar reuniram com o Presidente da República, na antecâmara de mais uma renovação do estado de emergência, e todos concordam que o plano de desconfinamento deve avançar: Marcelo incluído. Depois da reunião no Infarmed, o Governo ficou com luz verde para reabrir o ensino secundário e universitário, mas com cautelas quanto aos 22 concelhos com uma taxa de incidência elevada.

O índice de transmissibilidade, o famoso Rt, é superior a 1 no país, apesar de uma incidência que "se mantém moderada", com 68 casos por cem mil habitantes. Depois da reunião do Infarmed, Marta Temido, ministra da Saúde, alertou que Portugal está a aproximar-se das linhas vermelhas.

Essa é a razão que aconselha cautelas, e que levou Rui Rio a dar o mote ao Governo: "Não continuar o desconfinamento global nos concelhos com indicares de risco elevados e nos que fazem fronteira", disse, depois da audição com o Presidente da República.

Rui Rio notou que Portugal está numa situação "francamente pior" comparando com a anterior reunião no Infarmed, lembrando que, a manter-se a tendência, o país vai chegar aos 1700 casos por dia em maio.

Também o PS admitiu que o desconfinamento pode avançar, deixando de fora os concelhos de risco. O secretário-geral adjunto do partido, José Luís Carneiro, adiantou que "é importante renovar o estado de emergência por mais 15 dias, e depois ver como proceder", reforçando que o plano de desconfinamento deve prosseguir, "flexibilizando em termos locais".

As escolas parecem ser locais seguros, como defenderam os peritos. O Governo e os especialistas focam-se na "taxa de positividade muito reduzida" na comunidade, com uma testagem massiva nos estabelecimentos, e na vacinação dos docentes e não-docentes, que ficará concluída no próximo fim de semana.

Partidos revelam que Marcelo quer prosseguir com plano

A Iniciativa Liberal foi o primeiro partido a conversar com o Presidente da República sobre a renovação do estado de emergência, e o consequente plano de desconfinamento. João Cotrim de Figueiredo entende que "os dados são bons, e permitem o desconfinamento".

João Cotrim de Figueiredo assume, por outro lado, que este pode não ser o último estado de emergência, uma vez que Marcelo Rebelo de Sousa "não se comprometeu com uma última renovação". O Presidente da República tinha assumido que esperava não prolongar a medida para lá de maio.

Tal como a Iniciativa Liberal, Os Verdes revelaram que Marcelo Rebelo de Sousa se mostrou confiante no seguimento do plano de desconfinamento, embora "não tenham conversado sobre as assimetrias entre os vários concelhos".

Mais cauteloso foi o Bloco de Esquerda, que "não quis falar pelo Presidente da República", mas admitindo que o foco poderá estar na continuação do plano de desconfinamento, com congelamento nos concelhos com elevada incidência.

"Deve haver algum balanceamento no desconfinamento. Os técnicos dizem que com as escolas não há perigo, mas há outros sinais mais complicados", lembrou Catarina Martins.

Se crescimento se mantiver, Portugal chega ao vermelho em menos de dois meses

Os especialistas confirmaram que, dentro de duas a quatro semanas, Portugal atingirá os 120 casos por cem mil habitantes. Dentro de dois meses, a linha vermelha ultrapassará os 240 casos por cem mil habitantes, se o ritmo de crescimento se mantiver.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) explicou que Portugal apresenta uma incidência moderada, "próxima dos 71 casos por cem mil habitantes", com uma tendência crescente. O especialista André Peralta Santos revelou que 22 concelhos, com especial atenção para o Algarve e Alentejo, estão com uma tendência agravada.

"Alguns concelhos apresentam uma incidência superior a 120 casos por cem mil habitantes. São 22 concelhos, que correspondem a 6,5 por cento da população. Alentejo e Algarve apresentam os casos mais graves", alertou.

O dirigente da DGS revelou ainda que existe um aumento de casos na faixa etário dos 0 aos 9 anos, e um decréscimo mais idosos.

Do perito João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, o Governo ficou com a garantia de que as novas variantes não são entrave ao desconfinamento. Apesar de o especialista aconselhar atenção redobrada quanto à disseminação de novas variantes, pedindo atenção às fronteiras aéreas, garantiu que as variantes "não são impeditivas da continuação do plano de desconfinamento".

O especialista revelou que a variante do Reino Unido representou 83 por cento dos casos de Covid-19 em Portugal, em março. A variante de África do Sul teve "um crescimento significativo", com 53 casos confirmados, mas, a variante de Manaus é praticamente inexistente.

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