"Desconhecimento (quase) total." Nuno Melo acusa direção de não dialogar sobre as listas

Conselho Nacional do CDS marcou uma reunião extraordinária para aprovar a coligação com o PSD e com o PPM nos Açores.

Nuno Melo não participa na reunião extraordinária do Conselho Nacional do CDS convocada para esta tarde, para aprovar a coligação com o PSD e com o PPM nos Açores, a pensar nas próximas legislativas.

Numa nota a que a TSF teve acesso, Nuno Melo justifica a ausência da reunião desta tarde por considerar que o Conselho Nacional do CDS "tem vindo a reunir com violação de regras regimentais e legais e inaceitável parcialidade na condução dos trabalhos".

"Incompreensivelmente, os Conselhos Nacionais do CDS são desde há muito apenas urgentes e virtuais", critica o eurodeputado.

Na preparação para as eleições legislativas de 30 de janeiro, Nuno Melo refere um "desconhecimento quase total" por parte das estruturas do partido sobre as listas de candidatos ao Parlamento.

"Estamos a 8 dias do fim do prazo de entrega de listas de deputados em Tribunal (dia 20 de dezembro) e a quase totalidade das distritais não têm qualquer conhecimento dos nomes escolhidos pela direção para encabeçarem cada lista, em cada círculo eleitoral."

"Saber-se quem serão os cabeça de lista é determinante para que as distritais e as concelhias se sintam envolvidas, se possam pronunciar acerca dessas escolhas em concreto, se motivem, e para que saibam da composição geral das listas, tendo em conta as implicações legais de género. Esta sim, seria a prioridade. Mas chegados ao dia 12 de dezembro, nada se sabe", denuncia Nuno Melo.

Na sequência da decisão do PSD de chumbar uma coligação pré-eleitoral com o CDS, Nuno Melo acusa a direção de Francisco Rodrigues dos Santos de ter "abdicado" ao colocar todas as fichas na hipótese desse entendimento, sem preparar "o partido para a sua vocação natural, que é a de concorrer em listas próprias".

Leia a nota de Nuno Melo, na íntegra:

"Decidi não participar na reunião do Conselho Nacional marcada para as 15.30 h de hoje. Na verdade:

- O Conselho Nacional do CDS tem vindo a reunir com violação de regras regimentais e legais e inaceitável parcialidade na condução dos trabalhos;

- Incompreensivelmente, os Conselhos Nacionais do CDS são desde há muito apenas urgentes e virtuais.

- Reuniões que por norma eram presenciais, com entrega de documentos bastantes e tempo para meditação nos temas - como sucede no restante firmamento dos partidos democráticos -, passaram a exceção no CDS. São os estranhos tempos.

- Este Conselho Nacional decorre de outro, cuja convocatória o Conselho Nacional de Jurisdição declarou nula e de nenhum efeito, mas que adiou o Congresso do partido antes aberto;

- O próprio "Tribunal" do partido foi agora igualmente suspenso pelo respetivo presidente Alberto Coelho, para evitar que a democracia funcione e que possa ser proferida uma decisão acerca da impugnação que apresentei.

Acresce o seguinte:

- Este Conselho Nacional decidirá uma coligação com o PSD nos Açores, acontecendo no momento em que o presidente do CDS acusa o Dr. Rui Rio de estar "mais próximo de António Costa do que de Sá Carneiro". Passando ao largo da incoerência na mensagem - até porque mensagem é tudo o que no CDS já não se encontra faz tempo -, sublinharia o seguinte:

- Estamos a 8 dias do fim do prazo de entrega de listas de deputados em Tribunal (dia 20 de dezembro), e a quase totalidade das distritais não têm qualquer conhecimento dos nomes escolhidos pela direção para encabeçarem cada lista, em cada círculo eleitoral.

- Saber-se quem serão os cabeça de lista é determinante para que as distritais e as concelhias se sintam envolvidas, se possam pronunciar acerca dessas escolhas em concreto, se motivem, e para que saibam da composição geral das listas, tendo em conta as implicações legais de género. Esta sim, seria a prioridade. Mas chegados ao dia 12 de dezembro, nada se sabe.

- Isto acontece porque todas as fichas foram colocadas numa coligação com o PSD, caso em que bastaria a indicação de poucos nomes para as listas.

- Em consequência, o direção não preparou o partido para a sua vocação natural, que é a de concorrer em listas próprias, confiando em si, apresentando centenas de nomes, com um esforço logístico significativo, a par da a ponderação e do tempo de que a direção abdicou.

- Por causa disso, quase no termo do prazo, o desconhecimento do partido acerca do mais essencial no processo eleitoral é quase geral, o que digo também como presidente de uma distrital que elegeu sempre deputados desde a fundação do CDS, mas nunca foi confrontada com um processo tratado assim.

- Obviamente, as escolhas a fazer serão as escolhas da direção, responsável pela estratégia e pelos resultados."

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