"Desgraça completa." Jornadas do PSD arrancam com críticas a Marta Temido

Governo debaixo de críticas no arranque das jornadas parlamentares do PSD. Leal da Costa, médico e antigo governante, considera "uma desgraça completa" a comunicação das autoridades de saúde.

O prato forte das jornadas parlamentares do PSD só chega ao fim da tarde com Rui Rio a falar sobre o Orçamento do Estado, mas o arranque também tem que se lhe diga: críticas, críticas e mais críticas. De "desgraça completa" a "incapacidade" passando por "falta de liderança", o antigo governante Fernando Leal da Costa não poupou nas farpas dirigidas ao Ministério da Saúde.

"Continuamos com alguma descoordenação nas medidas de prevenção, há claramente uma falta de liderança por parte do Ministério da Saúde, tem havido um enorme desgaste da capacidade de liderança do Ministério da Saúde fruto da sua própria má forma de comunicação. Era impossível que os portugueses todos não se fartassem de ter todos os dias uma conferência de imprensa, na maior parte dos casos, para não dizer rigorosamente nada que não tenha sido dito no dia anterior, é de facto uma desgraça completa do ponto de vista da capacidade de comunicação", lamentou o antigo governante.

Sob tema "Coragem no presente, esperança no futuro", o arranque da sessão de trabalhos do PSD à qual Rui Rio não marcou presença ficou pautado pelas críticas políticas do médico que também fez uma análise à dicotomia público-privado que tantas críticas tem levantado à direita de "cegueira ideológica".

"Governo mostrou-se completamente incapaz de utilizar todo o sistema de saúde, manteve uma postura de antagonismo que ainda hoje se mantém relativamente ao setor social e privado e isso teve consequências graves", aponta Leal da Costa lembrando que foi pedida ajuda aos privados e que, mais tarde, se verificaram casos de doentes que tinham sido admitidos e não seriam pagos "porque governo entendeu que não teria de assumir custos de doentes que estavam a ser tratados noutros hospitais que não os do SNS depois de ter sinalizado isso".

Para o ministro da Saúde do governo de Passos Coelho que apenas durou um mês, desde que começou a pandemia podiam ter sido treinados mais intensivistas e, sobretudo, contratado mais enfermeiros.

"Não fizemos a devida contratação de enfermeiros e eles existem. Ainda agora, o anúncio de contratação de 2900 enfermeiros, com o devido respeito, é uma fraude porque eles já lá estavam. O que há é uma transferência de pessoal que estava em contratos precários para contratos mais definitivos, mas não são novos enfermeiros que entraram no sistema e dos quais nós precisamos", nota Leal da Costa.

Resta uma outra preocupação para o antigo governante e que está relacionada com a campanha de vacinação contra a gripe com o médico a apontar que "é claramente um insucesso". Para sustentar o adjetivo, lembra que "os centros de saúde estão a fazer marcações para dezembro".

Também presentes estiveram Isabel Santos, que preside ao colégio da especialidade de Medicina Geral e Familiar da Ordem dos Médicos, e Ricardo Mexia, presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública.

Ainda sobre questões de liderança, nota para a crítica de Ricardo Mexia que considera que "falta coordenação operacional".

"Temos uma liderança técnica que, às vezes, parece condicionada por uma liderança política, mas que não operacionaliza - os hospitais, os centros de saúde acabaram por tomar decisões sem essa orientação operacional, o que talvez tenha promovido aqui alguma desorganização", conclui Ricardo Mexia perante a bancada social-democrata.

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