"Desilusão", "endividamento" e "remendos". Oposição unida na crítica ao pacote do Governo

O Governo apresentou esta quinta-feira um pacote de apoio às empresas para combaterem a crescente inflação.

Ninguém parece ter ficado contente com o pacote de medidas de apoio às empresas apresentado esta quinta-feira pelo Governo. À direita acusa-se o Governo de não apresentar apoios a sério, mas "medidas recicladas" que apenas vão "aumentar o endividamento" das empresas, não deixando as empresas crescer. Da esquerda as críticas surgem pelas ajudas não chegarem às pequenas e médias empresas, enquanto o Governo se recusa a tributar os lucros excessivos das empresas e a fixar os preços da energia.

Maior parte das ajudas do Governo são empréstimos

Pelo maior partido da oposição, o PSD, foi Paulo Rios de Oliveira quem reagiu ao pacote de ajuda do Governo para as empresas no Parlamento. O deputado não estava à espera de uma "vaca a voar", mas de "pelo menos um coelho a sair da cartola".

"Se olharmos para tudo, dos 1400 milhões, mil milhões são empréstimos. É dinheiro que as empresas vão ter que devolver", avisa Paulo Rios de Oliveira, registando que o pacote "é uma enorme desilusão".

O deputado social-democrata diz que "o Governo não se pode queixar de falta de dinheiro", visto que "acumula impostos excessivos há meses".

"Os portugueses empobrecem, mas o Estado cobra cada vez mais impostos", acusa Paulo Rios de Oliveira.

"Retoques, remendos e truques"

Na mesma onda, o líder do Chega, André Ventura, considera que o pacote de apoio às empresas apresentado do Governo é composto por "retoques, remendos e truques para maquilhar os problemas".

"Estamos a falar de pequenos aumentos de linhas e medidas que já existem. Tirando o apoio que vai para a formação, o que é apresentado de apoio às empresas representa muito pouco nas contas finais", afirma o líder do Chega.

E dá exemplos: "O aumento da dedução dos lucros no IRC. Quantas empresas em Portugal pagam montantes elevados de IRC? Menos de 20%."

Governo apresentou "medidas recicladas" que vão "aumentar o endividamento"

Na Assembleia da República, o deputado da Iniciativa Liberal Carlos Guimarães Pinto disse que o pacote anunciado pelo Governo não passa de um conjunto de "medidas recicladas" que irão provocar um "aumento do endividamento".

"Este é um pacote de remendos que não vai solucionar nem os problemas conjunturais que as empresas enfrentam, nem os problemas estruturais", acredita o partido.

Carlos Guimarães Pinto refere que o foco "deveria estar em medidas estruturais".

"Nós precisamos é que essas boas empresas possam crescer e se possam capitalizar nos momentos bons, para fazerem frente aos momentos maus", considera o deputado liberal.

PCP queria "fixação dos preços da energia" e tributação de lucros

Paula Santos, líder parlamentar do PCP, considera que "o pacote anunciado pelo Governo é insuficiente".

"Não considera as micro, pequenas e médias empresas, nem avançam com medidas concretas para a fixação dos preços da energia", atira a deputada comunista que considera que isso "significa a subsidiação dos lucros económicos no setor energético".

Paula Santos criticou ainda o Governo por "não tributar os lucros dos grupos económicos".

"O Governo propõe mais endividamento, mas é preciso lembrar que muitas micro, pequenas e médias empresas ainda nem recuperaram do período pandémico", conclui a líder parlamentar comunistas.

Governo "condena pequenas empresas a apoios em miniatura"

Catarina Martins critica as medidas de apoio às empresas como "muito curtas", falando de "recauchutagem" de outras que já existem.

"Parece-nos que têm muito pouca capacidade para chegar às pequenas empresas, que estão com maiores dificuldades", lamenta também a líder do Bloco de Esquerda, acusando o Governo de "condenar as pequenas empresas a apoios em miniatura enquanto continua a recusar taxar os lucros excessivos".

A líder bloquista reforça ser "fundamental ter medidas de controlo da energia e dos preços", por serem "essas que as empresas esperam" e que o Governo "continua a recusar".

PS foi "ultrapassado pela esquerda" por governos de centro-direita da Europa

Já o deputado único do Livre, Rui Tavares, considera que o Governo continua atrasado na implementação de medidas sobre os lucros excessivos das empresas.

"No que toca ao imposto sobre os lucros excessivos, o Governo diz que continua a observar. Já estava atrasado em relação ao debate europeu. Um Governo do PS que se deixou ultrapassar pela esquerda por governos que são do centro-direita da Europa", lamenta o deputado do Livre na Assembleia da República.

E complementa: "Um quarto do lucro excessivo de uma empresa como a Galp permite pagar o pacote de ajuda a IPSS que o PSD está aqui a propor e é de 100 milhões de euros."

"Há uma natureza quase incompreensível num anúncio de um pacote que o Governo chama de apoio às empresas, mas que devia ser de apoio à produção, aos ganhos de produtividade, à oferta e à baixa de custos no nosso país", considera.

Rui Tavares critica ainda que "depois de uma semana em que o Governo foi criticado por um pacote modesto para as famílias", não apresente "um pacote de maior amplitude" para as empresas.

"O Banco de Fomento não está a chegar às pequenas e médias empresas, o que é um problema", refere o fundador do Livre.

Governo está a "faltar às empresas"

A deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, acusou o Governo de "continuar a ser pouco ambicioso" no pacote de apoio anunciado esta quinta-feira, no qual, diz a deputada, está "a faltar às empresas".

"Era fundamental que as medidas do Governo não fossem mais endividamento, porque as faturas não vão desaparecer magicamente", considera Inês de Sousa Real.

PS promete não terminar as medidas de apoio por aqui

Pelo PS, partido do Governo, o deputado Carlos Pereira promete que o Governo não vai ficar por aqui nos apoios aos portugueses e critica propostas de apoio da oposição.

"Acabámos de sair de um debate proposto pelo PSD que basicamente era uma recomendação ao Governo para apresentar um pacote de medidas que viessem a ajudar os portugueses nesta inflação de 1500 milhões de euros. O Governo apresentou vários pacotes de 5400 milhões de euros", compara.

Para Carlos Pereira são "duas visões completamente diferentes de apoio aos portugueses".

"Estamos habituados a ouvir a oposição a dizer que não gosta, que não quer ou que não é bom, mas não tem alternativas", critica o deputado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de