Diminuição da representação parlamentar do PCP é "prejuízo para a luta do povo português"

A CDU perdeu seis dos 12 deputados que tinha desde as últimas legislativas, e António Filipe, que deixou de ter assento parlamentar, acredita que o povo português sai prejudicado com este resultado. O ex-parlamentar também critica as sondagens, que com a sua "falsidade", instalaram "o medo" em relação à possível formação de um Governo à direita.

O PCP falhou, nestas legislativas antecipadas, a eleição do líder parlamentar, João Oliveira, e de António Filipe. O agora ex-deputado defendeu, em entrevista à SIC Notícias, que Portugal sai prejudicado com este resultado do PCP.

"Lamento... É um resultado que é duro, para a CDU, para o PCP... O facto de ter visto a sua bancada parlamentar reduzida... Não de um ponto de vista pessoal, não é naturalmente esse o problema, não pessoalizamos as coisas. Agora, é um prejuízo, no nosso entender, para a luta do povo português, haver no Parlamento uma bancada do PCP mais reduzida e o PEV ter deixado de ter representação parlamentar."

A CDU perdeu seis dos 12 deputados que tinha desde as últimas legislativas, há dois anos, e os Verdes perderam a representação na Assembleia da República. António Filipe era deputado desde 1980, mas, pela primeira vez, não conseguiu renovar o mandato pelo círculo de Santarém.

Sem arrependimentos, António Filipe reconhece que o PCP foi penalizado pelo chumbo do Orçamento, mas considera que a culpa é do PS, que não quis ouvir e fez uma "grande campanha de vitimização".

"A partir daí, foi completamente impossível haver qualquer tipo de negociação com o Partido Socialista, que quis remeter nomeadamente o PCP a uma viabilização humilhante do Orçamento do Estado. Ou isso ou então, se acontecesse o que aconteceu - que era perante discordância profunda relativamente àquela proposta de Orçamento e à recusa do Partido Socialista em fazer qualquer negociação -, o que diria aí era previsível."

O antigo parlamentar comunista garante que "o PCP nunca trabalhou para forçar eleições", mas acrescenta que as explicações "serão dadas a seu tempo, nomeadamente pelo secretário-geral do PCP".

António Filipe também se insurge contra o efeito da "falsidade" das sondagens. O antigo deputado da CDU sublinha que o facto de, na semana antes das eleições, as sondagens terem dado o PS e o PSD muito próximos nas intenções de voto instalou nos portugueses o medo de uma vitória à direita. As sondagens "induziram em erro os eleitores quanto àquilo que era previsível", vinca.

"É extraordinário como é que nós temos sondagens, na última semana, e até na sexta-feira antes das eleições, a dizer que havia um empate técnico entre o PS e o PSD, e que havia o perigo de o PSD ganhar, ainda por cima com o perigo de o PSD formar Governo com apoio do Chega." Na perspetiva de António Filipe, "instalou-se o medo entre os eleitores quanto à possibilidade de haver um Governo de direita".

O secretário-geral do PCP apresenta as conclusões da reunião do Comité Central, que analisou o pior resultado de sempre do Partido Comunista Português em legislativas. No Parlamento o PCP passa a ter seis deputados.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

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