Direita tenta arrumar a casa, esquerda queria eleições mais cedo

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou esta quinta-feira que marcou as eleições legislativas antecipadas para o dia 30 de janeiro.

Os partidos políticos reagiram esta quinta-feira à marcação de eleições legislativas para 30 de janeiro com a defesa, sobretudo à esquerda, de que deviam acontecer mais cedo. À direita, embora em sintonia com a escolha do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, há conflitos internos por resolver.

O presidente do PSD, Rui Rio, assinala em entrevista à TVI que Marcelo Rebelo de Sousa decidiu por 30 de janeiro "ponto final, parágrafo".

O argumento do Presidente da República "foi o dos debates, entendeu por experiência própria que não é bom" que não haja tempo.

O Governo tomará posse "lá para o meio de fevereiro", pelo que "não teremos Orçamento antes de junho".

O Presidente "decidiu desta maneira, pelo que teremos todos de adaptar-nos a isto". Questionado sobre se Marcelo Rebelo de Sousa estará a tentar interferir na vida interna do PSD, Rui Rio reforça que esse é um "capítulo fechado" e o partido deve agora tratar do que é necessário até 30 de janeiro.

Na Assembleia da República, o PCP foi o primeiro a reagir, por António Filipe. O deputado defendeu que as eleições podiam realizar-se a 16 ou 23 de janeiro e que o dia 30 "adia a clarificação política nacional".

"A haver eleições devia ser o mais rapidamente possível, não é dia 30 de janeiro", assinalou o deputado comunista, antes de garantir que o partido não provocou "uma crise política" e que o Orçamento do Estado foi rejeitado por "intransigência do Governo".

Pelo CDS, em direto na antena da TSF, a porta-voz Cecília Anacoreta Correia defendeu que o líder, Francisco Rodrigues dos Santos, mantém a "legitimidade" para liderar o partido nas próximas legislativas.

"O CDS depara-se, no imediato, com o enorme desafio de preparação de uma campanha eleitoral", pelo que precisa agora de "concentrar esforços" para apresentar uma equipa "digna de conquistar a confiança" do eleitorado. Sobre o Congresso do partido, Anacoreta Correia assinalou que "vai realizar-se, sem dúvidas, mas depois destas eleições".

De volta ao Parlamento, pela Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo diz ver a data de 30 de janeiro como uma oportunidade para uma "campanha esclarecedora, incompatível com a quadra festiva" e realça que, numa situação de crise como a vivida pelo país, a democracia "tem sempre soluções".

A IL assinala que a data de 30 de janeiro é a "mais ponderada e mais razoável" para a realização de eleições. "Estaremos disponíveis para oferecer alternativas ao rumo do país", concluiu.

O Bloco de Esquerda, pelo líder parlamentar Pedro Filipe Soares, assinalou que as eleições antecipadas "não eram uma inevitabilidade" e defendeu que "não foi pelo BE que houve uma crise".

"Da mesma forma que ninguém percebeu que o senhor primeiro-ministro pretendesse fazer uma crise política para impedir a valorização de pensões, para garantir direitos a quem trabalha ou para faltar ao investimento necessário para uma garantia de qualidade do SNS, também creio que ninguém compreenderá que se faça uma guerra política em torno da data das eleições ser uma semana depois, uma semana antes", respondeu quando questionado sobre a data.

Pelo Chega, o líder e deputado único, André Ventura, disse "compreender os argumentos" do Presidente da República e concordar com a data de 30 de janeiro, que diz poder "ser aceitável".

O líder do Chega assinalou ainda que "ficou claro a quem o senhor Presidente da República" apontou o dedo: o Governo do PS, o PCP e o BE.

"Ficou claro pela forma, conteúdo e estilo", justificou. O Chega "regista e concorda que, de facto, com o nível de divergência assumido no debate tornava-se impossível manter esta maioria".

A líder do PAN, Inês Sousa Real, realçou que o partido sempre defendeu que a marcação de eleições "devia acautelar um Orçamento o quanto antes" e que "teria de ser dado tempo à Assembleia da República para concluir processos legislativos da maior importância".

O partido "não deixará de dizer presente" nas eleições agora marcadas, garantiu, antes de deixar a esperança de que "as pessoas correspondam com participação nas urnas."

Pelo PEV, a deputada Mariana Silva lamentou que o Presidente não tenha antecipado a data das eleições, impedindo que "as eleições fossem o mais rápido possível", acrescentando que o país precisa de um Orçamento o quanto antes.

A deputada diz, ainda assim, que o partido está pronto para as legislativas. "Nos últimos seis anos fizemos um trabalho de esforço para devolver os direitos aos portugueses", rematou.

O PS, por José Luís Carneiro, assinalou o "esforço imenso para chegar até aqui" depois da pandemia e defendeu que a proposta de OE2022 era "boa".

"Com o PS não haverá vazio de poder, procuraremos que esta situação prejudique o menos possível", garantiu ainda o dirigente socialista, que apelou desde já à "forte mobilização dos portugueses" para a eleição. A data de 30 de janeiro é uma decisão do Presidente da República que o PS "respeita e permite que todos possam participar" na campanha.

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