Direita e esquerda divergem na política fiscal. Costa diz "ter levado pancada de todos"

António Costa ouviu críticas dos partidos à direita, que associaram a governação à esquerda ao aumento da carga fiscal, mas também de BE e CDU, que atribuíram ao PS resistência à política de aumento de salários e pensões.

Os partidos à direita e à esquerda divergiram sobre política fiscal e modelo de crescimento económico num debate a nove em que o secretário-geral do PS e primeiro-ministro se queixou de "ter levado pancada de todos".

Estes foram alguns dos temas de um debate transmitido pela RTP em direto a partir do Cineteatro Capitólio, em Lisboa, na segunda-feira à noite, com representantes das nove forças políticas que elegeram deputados nas anteriores legislativas: PS, PSD, BE, CDU (PCP/PEV), CDS-PP, PAN, Chega, Iniciativa Liberal e Livre.

"Eu depois de ter levado pancada de todos tenho direito a defender-me", observou António Costa, após ter ouvido críticas dos partidos à direita, que associaram a governação à esquerda ao aumento da carga fiscal, mas também de BE e CDU, que atribuíram ao PS resistência à política de aumento de salários e pensões.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, alegou que "o próprio PS queria cortar nas pensões 1.600 milhões de euros" antes de se formar a chamada "geringonça" no final de 2015.

Em matéria de política fiscal, o BE defende a descida do IVA sobre a eletricidade, a descida do IRS e o fim de "benefícios fiscais abusivos e transferências para 'offshores'", afirmou Catarina Martins, contestando a ideia da direita de que tornando "a vida mais fácil a quem tem mais rendimentos o país irá crescer".

Logo a seguir, o presidente do PSD, Rui Rio, discordou da coordenadora do BE, contrapondo: "Eu acho que é preciso baixar o IRC, IVA, IMT, o IMI -- é preciso baixar tudo, eu até acho que é preciso baixar tudo. Só que nós só podemos baixar aquilo que o Orçamento permite".

Rui Rio concluiu que há que "cuidar primeiro da produção, para depois de uma forma sustentável dar uma melhor vida aos portugueses".

O secretário-geral do PS foi questionado sobre os motivos que explicam que outros países da União Europeia tenham "ultrapassado Portugal" economicamente nos últimos 20 anos. António Costa respondeu que "a história explica isso", realçando os dados de crescimento durante a sua governação, sobretudo entre 2016 e 2019, acima da média europeia.

Para o futuro, António Costa defendeu que "o grande investimento" necessário "é nas qualificações e na inovação".

O presidente e deputado único da Iniciativa Liberal (IL) contestou que o secretário-geral do PS não tenha apresentado uma explicação para Portugal ter sido ultrapassado por "tantos países", e António Costa retorquiu: "Sabe por que é que a história explica? Porque foi antes do nosso Governo".

"Não é a história que explica, é o sistema político e o sistema económico desses países que é muito mais robusto do que o nosso e produz muito mais crescimento", contra-argumentou Cotrim de Figueiredo, que destacou a proposta da IL de apenas dois escalões do IRS com o fim da maior parte das deduções.

Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN, disse que o seu partido quer uma revisão dos escalões do IRS "mais ambiciosa do que o Governo propõe" e também "taxar as atividades poluentes", entre outras medidas no quadro de "um modelo económico verde".

O presidente e deputado único do Chega considerou que "só pode haver distribuição depois de haver produção" e criticou igualmente António Costa por remeter para a história a explicação do que qualificou como "atraso económico" de Portugal, atribuindo-lhe "a carga fiscal mais alta da história: 34,8% do Produto Interno Bruto (PIB)".

Rui Tavares, cabeça de lista do Livre por Lisboa, sustentou que a proposta da IL de IRS com dois escalões beneficia mais os mais ricos e desprotege as famílias com filhos portadores de deficiência. Além de combater a evasão fiscal, o Livre entende que "o "IVA deve ser reduzido, nomeadamente o IVA da energia, e a família mediana deve pagar menos IRS".

Em representação da CDU, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, defendeu que "o aumento geral dos salários, de todos os salários, não apenas o salário mínimo, é a grande solução de fundo" que assegura que a distribuição da riqueza pelos trabalhadores e contribui para apoiar as pequenas e médias empresas (PME) por via do aumento do poder de compra.

"O crescimento económico que nós tivemos entre 2015 e 2019 foi precisamente por causa destas medidas, muitas das quais nós arrancámos a ferros ao PS", advogou.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, disse concordar a afirmação de António Costa de que "a história explica o atraso económico" de Portugal, culpando os anos de governação do PS que associou a "desvario das contas públicas" e "aumento brutal da carga fiscal".

O CDS-PP quer a diminuição do IRC, da fatura da eletricidade e dos combustíveis e também uma redução dos escalões e taxas do IRS, apontou.

O debate passou para o tema da saúde e António Costa acabou por já não intervir mais sobre economia e impostos.

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