Do "circo montado" às selfies. Greta 'faltou' ao Parlamento, mas todos falaram dela

O tema da crise climática voltou a ser debatido no Parlamento, mas a troca de farpas envolveu a ativista sueca, a presença dos deputados na Doca de Santo Amaro e as (antigas) selfies de críticas.

Na semana da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 e um dia depois de Greta Thunberg, o Bloco de Esquerda trouxe à discussão a questão da crise climática e saudou os deputados e grupos parlamentares que estiveram na chegada da ativista sueca a Lisboa. Pedro Filipe Soares acredita que o Parlamento "mostrou ao país como devemos estar politicamente alinhados no que é importante".

"A urgência climática é inequívoca." A palavra de ordem abria caminho às críticas bloquistas de que se focavam na crença de que se está "bastante longe de cumprir o que era exigido" e que se está a "deixar passar o tempo determinante para dar as respostas necessárias".

Pedro Filipe Soares considera que a COP25 é fundamental para "recentrar" o debate. Porém, alerta, "não pode servir para dar respostas batidas ou para falhar neste momento crucial" nem para "para dar resposta ao sistema que é, ele mesmo, um problema do planeta e nenhuma solução".

"A ideia de que há um capitalismo verde para substituir ao capitalismo obsoleto é insistir no mesmo erro que não nos deixa ter nenhum tipo de soluções", realçou o dirigente do Bloco.

Greta? "Circo montado em Portugal"

O debate aqueceu quando João Almeida entrou ao ataque e se dirigiu à atenção dada à chegada de Greta Thunberg como um "circo montado em Portugal" para receber uma "ativista pela qual têm grande admiração".

O deputado centrista acusa o Bloco de Esquerda de preferir "estar do lado dos panfletos e do total vazio de ideias" em vez de estar "do lado das soluções".

"Lá foram, com os vossos telemóveis de lítio tirar fotografias à receção, foram pela cidade mais poluída, onde a mobilidade tem os piores indicadores, contentes e felizes, até ao porto. E depois, chegados à Assembleia postar nos seus computadores e redes sociais - que são produto do nacionalismo e da globalização e que os senhores diabolizam e que acham que têm de acabar para que o ambiente seja protegido - lá foram usar todos os mecanismos do capitalismo naquilo que dizem ser a sua causa", atirou João Almeida.

O ataque com selfie

O CDS não ficou sem resposta e esta chegou em jeito de selfie. Pedro Filipe Soares contra-atacou com o "vazio" usado por João Almeida e recordou que, na primeira greve climática, a ainda líder do CDS esteve, à porta do Parlamento, com os estudantes.

"Em meio ano, o CDS passou de considerar um dia histórico e que serviu para as selfies da líder do CDS para vir dar ralhetes aos estudantes que faltam às aulas porque exigem aos governantes que lhes respondam pelo seu futuro".

Correio de Greta Thunberg cheio de "boas intenções"

Por parte do PS, João Nicolau lembrou que o "PS tem bem presente a importância e urgência do cumprimento do Acordo de Paris".

O socialista lembrou as palavras de Greta Thunberg para deixar claro que "Portugal tem feito o seu trabalho e honrado o seu compromisso", bem como "tem ido mais além". João Nicolau defendeu o Executivo, enaltecendo que é "inegável" o comprometimento do Governo.

Já Hugo Carvalho acredita que "o muito que podemos fazer em Portugal pode ser pouco no mundo". Como tal, diz, "não escolhemos fazer umas medidas ou outras medidas, escolhemos fazer todas".

Pedro Filipe Soares concorda que é preciso passar das palavras aos atos e vai mais longe: "De boas intenções está o correio de Greta Thunberg cheio."

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