Do Guterres do "tacho" a Passos Coelho "fofinho". Ventura fecha congresso a arrasar toda a classe política

Após a divulgação dos resultados das eleições aos órgãos nacionais do partido, e depois da apresentação do hino oficial do Chega, André Ventura subiu finalmente ao palco para o discurso final do congresso.

Da esquerda à direita, do governo à oposição, e até líderes históricos: ninguém escapou ao ataque de Ventura, no discurso de encerramento do III Congresso do Chega, em Coimbra, cujo foco foi a crítica a tudo e todos e a manifestação da ambição de ser Governo.

André Ventura começou por agradecer a vitória com larga maioria da sua lista à Direção Nacional do partido, assumindo que este terá sido "o último dos congressos antes de enfrentar a luta derradeira pelo Governo de Portugal".

Declarando que o Chega não pretende mais ser um "partido de protesto", mas, sim, um partido que governa, Ventura voltou mostrar-se confiante de que representará a terceira força mais votada já nas próximas eleições autárquicas. Uma conquista que "não depende" de outros partidos políticos, de coligações, mas "do povo português". E é aí que Ventura faz a ponte para regressar à torrente de críticas ao PSD que têm marcado as suas intervenções neste congresso.

Segundo o líder do Chega, o PSD habituou-se, durante mais de quatro décadas a "mandar na direita", algo que, assegura, está prestes a acabar. "O PSD pensava que nos dizia a nós o caminho, este congresso deixou claro que somos Chega antes de tudo. Não nos deixamos condicionar por ninguém. Nunca seremos muleta do PSD", afirmou. "A direita somos nós!"

Referindo a recusa do PSD, à última hora, em marcar presença no congresso, alegando que as palavras de Ventura ao longo do mesmo ultrapassaram "os limites da decência", retorquiu que o único limite ultrapassado foi o da "decência de não compactuar com António Costa".

Costa que, juntamente com o seu Executivo, foi outro dos visados no discurso do líder do Chega. André Ventura acusa o Governo PS de estar a "destruir-se" e acusou o primeiro-ministro de apenas manter em funções ministros como Eduardo Cabrita e Marta Temido por estes serem "apagados, incompetentes e não lhe fazerem frente".

Mas não só o PS de agora é objeto da censura de Ventura. O presidente do Chega considera que os socialistas andam, há décadas, a "condenar os portugueses ao subdesenvolvimento".

"De Mário Soares, a Sócrates e a Costa, todos nos levam à ruína e chamam a direita para resolver o problema!", atirou. E nem o ex-primeiro-ministro e atual secretário-geral da ONU António Guterres saiu ileso, aqui acusado também, por André Ventura, de ir para as Nações Unidas para ter um "tacho".

Passos Coelho seria um alvo mais improvável, mas nem por isso escapou. O presidente do PSD diz que, se chegar ao poder, não será "fofinho" e "levar pancada de toda gente", ao "fazer os cortes que a esquerda não quis fazer".

"Ao contrário de Passos Coelho e outros governos do PSD, não vamos ser o "limpa-lençóis", vamos chamar a esquerda à responsabilidade pelo que fizeram a Portugal", atirou.

As polémicas com ex-vereadores e deputados do Bloco de Esquerda, a falta de pluralidade do Comité Central do PCP, a pequena dimensão do PAN e o facto de ter ultrapassado "os betinhos da Iniciativa Liberal" nas últimas presidenciais mereceram também referências no discurso do presidente do Chega.

Aos olhos de Ventura, são estes os verdadeiros adversários do Chega, os de "fora", e não os que estão "dentro do partido", como recordou aos congressistas, num momento de apelo à unidade interna, após várias clivagens ao longo deste congresso.

"Queremos ser um partido de Governo, mas antes disso, temos de mostrar que conseguimos governar-nos a nos próprios", sublinhou.
E por que tem a esperança de que o próximo partido que o Chega realizar será já enquanto "Governo de Portugal", André Ventura termina com um saída fatalista: assegura que mesmo que uma bala acabe com a sua vida, nunca acabará com o Chega.

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